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Juca Kfouri

Aguarde Guardiola

Político, o presidente da CBF já deve estar sensível à aprovação do nome de Guardiola

VIR PARA ser campeã mundial, como disse ao "Lance!", em menos de dois anos, é desafio gigantesco. Mas tão eloquente como o erro de chamar e dispensar Mano Menezes é a aprovação popular a Guardiola.

Não contratá-lo por nacionalismo soa retrógrado no mundo globalizado. Argumentar com o desconhecimento de Guardiola sobre nossos jogadores é esquecer que boa parte deles joga na Europa. Se José Maria Marin dispensou Mano por não ser sua escolha, Felipão também não será, pois de Marco Polo Del Nero. E, se Marin quer Milton Cruz na CBF, eis a solução para auxiliar Guardiola. A chacoalhada que o catalão dará em nosso futebol valerá a pena.

VIDA ETERNA

O colorado Luis Fernando Verissimo, gênio da raça, não é de hoje que defende a permanência vitalícia dos grandes clubes no Campeonato Brasileiro. Sua coluna, antes de ser hospitalizado na quarta-feira passada, protestava contra a queda do Palmeiras, como já havia protestado antes quando outros gigantes foram rebaixados.

Verissimo propõe uma liga de intocáveis e argumenta que não se trata de elitismo, ao contrário, mas da defesa das massas torcedoras -e absolutamente compatível com a lógica capitalista do grande negócio em que o futebol se tornou. Na NBA, por exemplo, não há descenso.

Com a graça que o caracteriza, Verissimo admite, constrangido que, no entanto, ultimamente sua única alegria como torcedor está em lembrar que o seu Inter jamais caiu.

Aliás, dos 13 maiores do país, apenas outros quatro fazem companhia ao Internacional: São Paulo, Santos, Flamengo e Cruzeiro.

Verissimo não discute se a adoção do sistema seria ou não um incentivo à acomodação dos grandes e nem mesmo propõe fórmulas atenuadoras como na Argentina, que levam em conta as campanhas dos três últimos anos, ou a diminuição de quatro para três rebaixados ou, ainda, que os últimos da Série A disputem a sobrevivência com os primeiros da Série B, todas soluções dignas de ser pensadas.

Ele apenas acha um absurdo que enormes contigentes de torcedores fiquem fora do maior campeonato do país, apesar de reconhecer que não falta respaldo nas horas dramáticas, assim como lembra que por mais dramática que seja a morte de um comum, só as dos reis dava boas peças, como Shakespeare sabia.

Verissimo quer proteger os grandes clubes de sua própria incompetência, diz textualmente.

Tendo a discordar dele, embora já tenha discordado mais antes do que hoje, porque sempre desconfio de mim mesmo quando divirjo de inteligências superiores. De uma coisa, porém, tenho absoluta certeza: deveria existir uma lei que proibisse certas pessoas incomuns de morrer. E Verissimo certamente é uma delas. Tomara que essa lei já esteja em vigor e a gente não saiba.


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