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Juca Kfouri

O erro de Iuri Gagarin

A Terra é outra vez preta e branca porque nem tudo que é azul vem do Velho Mundo

O ASTRONAUTA RUSSO que, em 1961, foi o primeiro homem a viajar pelo espaço disse que a Terra era azul. A bola tratou de provar que Gagarin estava redondamente enganado. Porque, se era mesmo, deixou de ser. De novo!

Pelo menos desde 2000, o planeta é preto e branco, tomado por um bando de loucos que, como nunca antes na história do futebol mundial, foi capaz de transformar um palco, como Yokohama, a 20 mil quilômetros de distância, na casa do Corinthians. Só se ouvia uma voz no estádio japonês: a voz da Fiel.

Que jogou como precisava, mas, ontem, para refletir o desempenho do time dentro do campo, onde até a temperatura, de 13ºC, foi parceira.

De Cássio, literalmente um gigante, autor de quatro defesas históricas, além daquela na Libertadores, a Guerrero peruano, autor dos dois gols do bicampeonato, o time não teve medo do milionário Chelsea, jogou de igual para igual, sem complexos, e ganhou. Ganhou também numa bola de ouro, mas jogando melhor do que jogaram, no mesmo estádio, os brasileiros que o precederam, porque seu gol saiu após outras três chances desperdiçadas por Emerson e numa disputa muito mais equilibrada. Gol aos 23 minutos como o do que acabou com o jejum de 23 anos, ensaiado uma, duas, três vezes até se concretizar.

Alessandro teve o apoio de Jorge Henrique para poder levantar a taça; Ralf não se cansou de roubar bolas; Paulinho foi maestro novamente; Paulo André frio e calculista, Chicão do coração na ponta das chuteiras; Danilo, o toque sutil que faz diferença; Fábio Santos da regularidade, todos comandados por Tite, que acerta muito mais que erra, embora tenha demorado a convencer a maioria disso.

O Corinthians está com a faca e o queijo nas mãos, rodeado por boas notícias, sejam as do Datafolha, que já o põe empatado com o Flamengo em popularidade, sejam as que têm conquistado no mercado no momento em que sua casa está em vias de ser inaugurada -pena que também com dinheiro público.

Impossível olhar para os fiéis no estádio japonês e não se comover, além de não ver o que significam para gerar riqueza. O Corinthians tem um século quase todo pela frente para pintar e bordar.

Agora é tratar da Libertadores com a graça especial da companhia dos rivais do Trio de Ferro e, quem sabe, de pensar no tri Mundial, tomara que contra o Barcelona, que foi o adversário, superado o Boca Juniors, que faltou bater neste 2012...

Finalmente, uma explicação caseira: a referência à bola de ouro deveria ser à de prata, como a bala, a que decide, a fatal.

Mas, se a usasse, tornaria ainda mais impossível o nosso Antonio, colunista pé-quente, que logo a tomaria para demonstrar, em mais uma crônica impagável, seu parentesco com o gol do bicampeonato.


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