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Juca Kfouri

Aquático e gramático

Tinha razão o saudoso presidente Vicente Matheus: jogador tem mesmo que ser como pato

HÁ QUEM diga que o pato faz de tudo um pouco, mas faz mal: anda, nada e voa mal. O filósofo Vicente Matheus, imortal presidente do Corinthians, discordava com sua sabedoria pragmática e ensinava: "O bom jogador tem de ser aquático e gramático como o pato".

Ou, ao menos, a ele se atribui a frase, talvez uma das muitas que o humorista Ari Toledo tenha criado e, a exemplo do que João Saldanha e Sandro Moreira faziam com Mané Garrincha, Manga e Neném Prancha, posto na boca do folclórico cartola.

Matheus achava que o bom jogador se dava bem tanto no gramado seco quanto no molhado, como achava também que o Doutor Sócrates era invendável e imprestável.

Pois eis que Ganso, não o que gostou da dupla do pato com o marreco, jogou pela primeira vez contra seu ex-clube -numa Vila Belmiro sob sol e moedas, além de vaias impiedosas.

Já Pato estreou no Corinthians no Pacaembu cantando alegremente.

Paulo Henrique Ganso parece ter um temperamento cordato, dócil como jogador, embora influenciável fora de campo, como demonstram as inúmeras bobagens que fez no trato de sua curta, e tumultuada, carreira.

Não tenho nenhuma vergonha em dizer que cheguei a ter dúvidas sobre quem seria melhor: se ele ou Neymar. Não precisava do San-São de ontem para dirimir a dúvida, já desfeita há dois anos.

Mas quem viu Ganso ser mais um em campo e Neymar, em três lances, resolver o clássico, entende por que um embarcou para Londres para servir a seleção e o outro voltou para o Morumbi.

Também não tenho vergonha em dizer que quando vi a estreia de Pato, no velho Palestra Itália, pelo Inter, em fins de 2006, afirmei estar diante de um jogador diferente.

Impressão que se confirmou ao vê-lo ser campeão mundial pelo time gaúcho em seguida, e com apenas 17 anos. Impressão que foi se diluindo nos últimos cinco anos até se diluir mesmo, em Londres, na Olimpíada.

Pato ontem fez o que sempre fez em todas as suas estreias e talvez tivesse sido melhor que não marcasse o gol que marcou, mostrando habilidade com os dois pés na primeira vez em que pegou na bola.

Quem sabe uma estreia ruim significasse uma continuidade boa, ao contrário do que vem ocorrendo com ele em seus sete anos de carreira.

Porque Pato virou pop antes de ser star de verdade.

Tomara que a Fiel o contagie mesmo, porque está para nascer torcida mais em estado de graça do que a corintiana desde a conquista da Libertadores, como mais de 36 mil alvinegros mostraram novamente neste domingo que passou.

MINEIRÃO AZUL

O Galo de salto alto tinha que perder para o Cruzeiro de pés no chão. Ronaldinho Gaúcho lembrou muito mais o jogador que era convocado por Mano Menezes do que aquele antes de sê-lo por Felipão...


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