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Juca Kfouri

Palmeiras à portuguesa

O encontro do aprendiz com o mestre mudou o rumo de Barcos e deixou uma piada de saldo

VENDE-SE VAGA na Libertadores. Tratar com Paulo Nobre.

O anúncio gozador tomou conta das redes sociais depois da negociação que levou Barcos para Porto Alegre e deixou um saco de interrogações em Palestra Itália.

O novato presidente do Palmeiras foi se aconselhar com o velho dirigente do Grêmio e saiu tosquiado, pois Fábio Koff sabe fazer o papel de lobo mau com ar cândido e solidário.

O tricolor de Luxemburgo se reforçou consideravelmente e o alviverde de Brunoro deu, como seu primeiro passo, um tropeção que o levou para o perigoso campo da galhofa, digno das melhores, ou das piores conforme o ponto de vista, piadas de português, o sangue que corre nas veias de Nobre.

Nobre que ao se eleger presidente foi transformado em vitorioso homem no mercado de capitais quando, na verdade, é herdeiro de uma fortuna administrada por um grupo de especialistas para evitar que a dinheirama seja toda investida em ralis.

E que, compreensivelmente, apostou na fama de gestor de Brunoro, criada em Parque Antarctica quando os recursos eram fartos, frutos de sonegação fiscal na Itália, e nunca mais a justificou, diferentemente de seu passado como técnico de vôlei.

Jovem mimado, sem ter a menor ideia do que seja conviver com a frustração, o aprendiz de cartola Nobre, que prefere comida japonesa à italiana, mergulhou o Palmeiras na sexta-feira mais infernalmente dantesca e confusa de sua existência quase centenária.

Entre errar sozinho e dividir a carga com um subordinado experiente, o presidente optou pelo segundo caminho -mesmo que seu primeiro ministro tenha todos os vícios de um meio que ensina que esperteza em demasia engole o esperto, por mais que nem Luxemburgo nem Brunoro, velhos parceiros, se convençam disso, custe o que custar.

O Palmeiras vem de uma experiência relativamente recente em que se fez quase tudo certo e quase nada deu bons resultados.

Trouxe os treinadores mais famosos do país, repatriou seus ídolos, fez o diabo a quatro e amargou derrotas surpreendentes.

Quem sabe agora, ao fazer quase tudo aparentemente errado, as coisas comecem a dar certo.

Difícil será convencer o torcedor de tal possibilidade, porque se ele é capaz de entender que o clube precisa botar os pés no chão para preparar novos voos, é improvável que se convença de que a venda de seu melhor jogador, e projeto de ídolo, seja razoável. Ainda mais que, no pacote dos que viriam para seu lugar, estavam embutidas graves ofensas às melhores tradições palmeirenses.

Paulo Nobre está repleto de boas intenções e certamente não tirará um tostão do Palmeiras, o que, em se tratando do futebol brasileiro, não é de se jogar fora.

Mas é pouco, muito pouco, para o tamanho do desafio que está posto à sua frente.


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