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Juca Kfouri

Liberta dores

A taça sul-americana causa mais problemas que alegrias, além de fazer papéis ridículos

QUE SENTIDO faz o time campeão da Libertadores e do mundo viajar 17 horas para enfrentar uma equipe que, se ganhar o torneio, não representará a confederação sul-americana no Marrocos porque é da América do Norte?

Pois lá foi o Corinthians jogar em Tijuana, no México, numa viagem que, com um pouco mais de horas, o levaria ao Japão.

Porque a Conmebol é assim, tão ridícula que seu presidente, Nicolás Leoz, prometeu votar na Inglaterra como sede da Copa do Mundo se a rainha Elisabeth lhe concedesse o título de "sir".

Tão sem noção que já teve a asiática seleção do Japão como convidada para disputar a... Copa América, assim como a europeia Espanha, o que até torna menos bizarro o Tijuana estar na Libertadores.

Que sentido faz a punição ao Tigre se limitar a US$ 100 mil depois de abandonar o campo no Morumbi, na decisão da Copa Sul-Americana, se a Conmebol considerou que havia condições para a continuidade do jogo, tanto que se limitou a punir brandamente o São Paulo, com a perda de um mando em seu campo, mas permitindo que jogasse no Pacaembu?

Ora, quem abandona um jogo tem de ser suspenso, no mínimo, por um ano de quaisquer competições.

Vamos falar sobre as coisas como as coisas são?

A Libertadores é tão ridícula como o presidente vitalício (atenção, você não se espanta que haja algum dirigente vitalício em pleno século 21?) da confederação.

Tão maquiada como os cabelos acaju de Leoz.

Tão violenta que precisa de escudos para que se batam escanteios.

Tão sem controle que sinalizadores matam na celebração de gols.

Tão desumana que sem tubos de oxigênio não se joga em Oruro, em La Paz ou em Potosí.

Ah, sim, é preciso ser muito macho para vencê-la.

E eu que achava que para ser campeão de um torneio de futebol era preciso jogar futebol, sem espírito kamikaze (o que talvez justifique o convite ao Japão), porque a Copa América não é tão diferente, embora menos incivilizada.

A japonesa Toyota, o espanhol Santander e a japonesa Bridgestone têm sido nos últimos anos os patrocinadores da taça que homenageia Simón Bolívar, José Artigas, José Marti, José Bonifácio de Andrada e Silva, dom Pedro 1º, Antonio José De Sucre e Bernardo O'Higgins. Mas por quanto tempo um patrocinador associará sua marca não a nomes históricos, mas ao descalabro que caracteriza o torneio?

Pergunte à holandesa Heineken se ela dá chance a quem quer que seja na Copa dos Campeões.

E olhe que na Europa ninguém comete a ridicularia de chamar a taça com o nome da cerveja como se faz neste lado do mundo com montadoras de automóveis, bancos ou marcas de pneu.

Vai ver é por isso que, por aqui, as coisas são como são.

Pois não é que tem até quem chame o Paulistinha de Chevrolet?

Se ainda chamasse de Chevette...


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