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Juca Kfouri

Em busca da paz

Fora do mundo exclusivo do futebol, há quem se mobilize atrás de soluções inteligentes

FAZ AO MENOS 20 anos que a escalada da violência de torcedores preocupa o futebol brasileiro.

Nestes dias mesmo revi duas profissionais que não fazem parte do mundo do futebol, a não ser como torcedoras saudáveis, além de mães e avós de torcedores que desejam saudáveis.

Uma delas, a psicóloga Lidia Aratangy, ainda em 1993, apresentou propostas e participou de debates em busca das soluções que o Estado brasileiro, diferentemente do inglês, não foi capaz de produzir.

Outra, a socióloga Fátima Pacheco Jordão, uma das melhores analistas de pesquisas de opinião pública no país, observa uma atitude mobilizadora na sociedade brasileira para dar um basta em situações com as quais convivemos desde sempre, entre estas, a guerra entre torcidas.

Em meu blog no UOL (www.blogdojuca.com.br), do Grupo Folha, publiquei uma pensata de Aratangy sobre o tema na última quinta-feira. Vale conferir.

Até uma carta a Pelé, que nem sonhava em ser ministro do Esporte, ela enviou.

Ambas estão dispostas a dedicar o tempo necessário para não deixar que sejam esquecidos nem a morte em Oruro nem o ataque no aeroporto de Buenos Aires.

Sem ilusões ou otimismo, frutos da experiência de já ter promovido e participado de inúmeras ações nesta direção, algumas delas ainda nos anos 90, ou por iniciativa da revista "Placar", que dirigia, ou por promoção desta própria Folha, quero crer que então era prematuro esperar uma reação da sociedade civil, mais preocupada com temas que diziam respeito ao processo de redemocratização do Brasil.

É possível, talvez até mesmo provável, que vivamos uma nova situação que permita encontrar simpatia e vontade de agir, como acredita Jordão.

O presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, embora ainda solitariamente, acaba de dar exemplo corajoso em torno das uniformizadas alviverdes e faz por merecer respaldo das pessoas de bem.

Já as autoridades, federais, estaduais e municipais, continuam se limitando ao palavrório óbvio, assim como as entidades dirigentes do futebol -o que não espanta por serem os cartolas quem são.

Resta, portanto, o clamor da maioria silenciosa que precisa sair de seu mutismo, para não chorar amanhã a perda de quem foi a um estádio para se divertir e não voltou com vida.

A favor de agitar a pasmaceira há, também, o novo secretário nacional de Futebol, o jornalista Toninho Nascimento, que durante 16 anos editou o caderno de esportes de "O Globo", uma cabeça arejada que aceitou a empreitada por elogiável espírito público, disposto a desengavetar o bom relatório produzido no Ministério do Esporte sobre a questão.

Na verdade, já passou, e muito, do momento de agir, mas, como se diz teimosamente, antes tarde do que nunca.

Ou quem sabe faz a hora.


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