São Paulo, domingo, 06 de novembro de 2005

Texto Anterior | Próximo Texto | Índice

FUTEBOL

Hora de ter cabeça

JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

Que rodada espetacular, esta de hoje do Brasileirão.
Primeiro, tem Corinthians e Inter, em casa, contra Santos e Ponte Preta, respectivamente. Depois, independentemente dos resultados obtidos pelo líder e vice-líder, corintianos e colorados torcem contra o Flu, que recebe o Figueirense.
Fluminense que tem a vida menos difícil daqui até o fim do campeonato.
Corinthians e Inter vêm de derrotas, a gaúcha mais preocupante que a paulista. Porque o líder perdeu para o Cruzeiro, no Mineirão, graças a dois pênaltis infantis e depois de jogar bem, num resultado imerecido. Já o vice-líder levou um vareio de bola do Paraná Clube, em partida disputada fora do Beira-Rio, mas diante da torcida colorada em Cascavel.
O Inter sentiu a barra de jogar tão próximo da liderança e aliviou a pressão para cima do Corinthians, que pegaria um Santos destroçado no Pacaembu não fosse a esperada diminuição da pena de Giovanni (o STJD tem sido sempre mais benevolente ao julgar os recursos que lhe são apresentados), cuja volta dá um renovado sabor de revanche ao clássico.
O favoritismo ainda é corintiano, mas tudo o que cerca o jogo torna o resultado imprevisível. Porque pode ser a maior alegria santista neste fim melancólico de temporada sem a magia de Robinho. Como é favorito o Inter diante da Ponte Preta, apesar de, agora, sob a desconfiança de sua própria torcida depois da fraquejada de quinta-feira.
Em compensação, o Fluminense navega em mares bem mais calmos. Vem de importante vitória sobre o Goiás, no Serra Dourada, e tem um caminho menos duro pela frente do que o dos dois times que precisa superar.
Ganhar do Figueirense sem Edmundo, que, quando parecia maduro, deu um pisão incompreensível no adversário e acabou expulso na última partida, será missão tranqüila.
É verdade que o tricolor tem três vitórias a menos que o Corinthians e isso pode pesar, além de não ter mais confrontos nem com o líder nem com o vice-líder, que ainda se enfrentarão em São Paulo.
E, finalmente, os três primeiros colocados têm jogos neste meio de semana pela tal Copa Sul-Americana. Se tiverem juízo, pouparão suas estrelas na Cidade do México (o Corinthians), na Bombonera (o Internacional) e em Santiago do Chile (o Flu). Porque agora é a hora de jogar futebol e usar a cabeça.
Bola, no momento, os cariocas estão jogando melhor, time mais empolgante deste campeonato sem nenhum timaço.
Cabeça é difícil dizer quem tem melhor, se é que há em algum dos três que não seja apenas para equilibrar a cartola.
O tetracampeonato brasileiro para Corinthians e Inter e o bi para o Flu são muito mais valiosos que uma eventual conquista da ainda desimportante Copa Sul-Americana. E até mesmo a garantia de uma vaga na Libertadores do ano que vem vale mais.
A torcida também acha, mas isso, para cartola, é detalhe.

Má vontade
A coluna não conseguiu ouvir nenhum publicitário que respaldasse a tese de que o calendário nacional de futebol não pode ser adaptado ao calendário mundial porque isso traria problemas já que o mercado opera de janeiro a dezembro. Especialistas ouvidos, aí incluído um antigo importante diretor da TV Globo, argumentam que a adaptação seria facílima e que o pacote é vendido com a temporada toda, comece no mês que começar. A mudança seria só a de que em vez de se vender o Futebol 2006, por exemplo, se venderia o Futebol 2006/2007, sem dramas. Em resumo: mais parece um capricho, outro, da Globo Esportes, que vive contrariada porque derrotada na fórmula do Brasileirão -a queria com mata-mata. Quanto ao êxodo de atletas, é óbvio que a adequação não o diminuiria. Apenas, o que não é pouco, impediria que a sangria se desse em meio ao torneio.

blogdojuca@uol.com.br

Texto Anterior: Atletismo: Aos 36, Paul Tergat estréia em NY em busca de fama e título inédito
Próximo Texto: Surfe: Brasileiro deve ser 1 muçulmano na elite
Índice



Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.