São Paulo, domingo, 08 de outubro de 2006

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JUCA KFOURI

Um Santos e Grêmio como poucos


Qualquer que tenha sido o resultado do São Paulo, ontem, o confronto de hoje na Vila é o jogo da rodada
SE O SÃO PAULO perdeu ontem do Fluminense, sempre possível, embora improvável, este Santos e Grêmio de hoje é imperdível.
Se o São Paulo apenas empatou, também é o jogo.
E se ganhou, ainda é.
Na primeira hipótese, uma vitória gremista o deixará a apenas dois pontos do líder, com quem jogará, no Olímpico, no próximo dia 22, pela 30 rodada.
Antes, pela 29, o São Paulo receberá o Juventude e o Grêmio enfrentará o São Caetano no ABC, dois jogos para os líderes somarem pontos sem maiores problemas.
Na segunda hipótese, a vitória do tricolor gaúcho significará uma distância de apenas três pontos, o que abre a perspectiva do empate por pontos na primeira colocação se o Grêmio ganhar no Olímpico.
E, na terceira hipótese, vitória do tricolor paulista sobre o carioca no Maracanã, o Grêmio também não pode nem pensar em empatar, porque a vantagem começará a ficar desconfortável demais.
Tudo isso vale quase do mesmo modo para o Santos, que pode tomar o segundo lugar do Grêmio, mas com uma diferença de mais dois pontos em relação ao líder.
Pena que por convocações inoportunas, contusões ou suspensões (no caso de Zé Roberto, um evidente exagero do árbitro), os dois times se enfrentem com tantos desfalques.
Arrisco dizer que raras vezes houve um embate entre praianos e gaúchos de tal importância.
E houve até semifinal de Taça Brasil (que envolvia só os campeões estaduais), em 1963, quando depois de estar perdendo por 3 a 1, no Pacaembu, o Santos virou com três gols de Pelé. Mais: ainda viu o Rei jogar os três minutos finais como goleiro, porque Gilmar havia sido expulso. Pelé fez também duas defesas, uma delas nos pés de um atacante gremista.

Dunga na Cruz
Está aberta a temporada de pau em Dunga por ter tirado do Campeonato Brasileiro jogadores essenciais para dois dos times que lutam pelo título. Pobre Dunga.
Se não bastasse, ele é vítima de desconfiança quando convoca algum jovem promissor, como Lucas, porque sempre há quem diga que é apenas para valorizar a transferência do jogador para a Europa, no caso, para o Atlético de Madri.
Se convoca um veterano, como Mineiro, é por armação contra o São Paulo. E como não dá para chamar de armação gaúcha, chama-se de armação colorada, porque Fernandão não foi convocado. Somado ao recente episódio do Betis em relação a Ricardo Oliveira e a ida, em seguida, de Rafael Sobis para a equipe sevilhana e pronto, está armada a conspiração.
Na verdade, essa é uma história que se repete. Se hoje Muricy Ramalho reclama, e com razão, amanhã reclamarão dele se chegar à seleção. Porque Felipão já reclamou de Zagallo, Zagallo já reclamou de Luxemburgo, Luxemburgo já reclamou de Parreira, que também já reclamou de Felipão.
Cada um olha para onde o calo aperta, e o de Dunga está na seleção. Se é verdade que os dois amistosos (ontem contra o Kuait, terça-feira contra o Equador) não têm a menor importância e que a CBF deveria zelar pelo campeonato que organiza, para o treinador da seleção todo jogo é importante, e ele não tem culpa se seu empregador é trapalhão e não está nem aí para os clubes. Que, diga-se, são fartamente responsáveis, por covardes e subservientes.
Veja lá se isso acontece na Europa. Jogo de seleção sem interrupção dos campeonatos em andamento é coisa típica dos tempos do Bambala e do Arimatéia.
Ou do São Paulo, Grêmio, Santos, Flamengo, Corinthians...

blogdojuca@uol.com.br


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