São Paulo, segunda-feira, 14 de novembro de 2005

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FUTEBOL

Tetra à vista

JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

O Corinthians derrotou o Coritiba com muito mais facilidade do que se poderia imaginar, apesar do magro 1 a 0. Só não foi de 3 porque o bandeirinha errou ao anular gol de Jô e Jô salvou um de Rosinei num jogo tecnicamente fraco e que mostrou sem tirar nem pôr por que os paranaenses estão na zona do descenso.
Fábio Costa não precisou fazer nenhuma defesa para garantir a vitória do virtual tetracampeão que, diga-se, sem Carlitos Tevez é um time absolutamente comum, embora lutador. Incapaz, por exemplo, de segurar a bola mesmo com 11 contra 10, mas, sem dúvida, merecedor pelo que fez em campo do título tão próximo.

 

Tenham juízo. Não me venham com essa que Gustavo Nery garantiu seu lugar na Copa pelo que fez diante dos Emirados Árabes. Gilberto não pode ser rifado assim. Até eu brilharia na ala da seleção diante daquele time que cairia para quarta divisão se disputasse a terceirona no Brasil.
 

Que vergonha, hein CBF? Jogo cancelado cinco dias antes da data marcada. No time da minha rua isso até acontecia, mas no da escola já não.
 

Se depois da famosa operação "Mãos Limpas", na Itália, os italianos elegeram Silvio Berlusconi e se depois de Bill Clinton os norte-americanos elegeram George W. Bush, o que dizer além de constatar que o Homem é um projeto inviável? Se o presidente do Brasil é capaz de falar, numa segunda, que seu governo não interfere nas CPIs e, na quinta, comandar um desesperado, incompetente, patético e derrotado esforço para matar uma delas, o que esperar do presidente do Fla?
Só mesmo o que tem dito e feito o atual comandante do clube mais popular e um dos mais gloriosos do país, hoje chamado de ex-Márcio Braga.
Aliado a Eurico Miranda, o cartola que um dia liderou a vanguarda do futebol brasileiro, prega, agora, a infame idéia da reserva de mercado, a cadeira cativa para os os clubes de grandes torcidas na primeira divisão, o fim do rebaixamento para premiar a incompetência. "Não há nada mais parecido com um conservador que um liberal no poder", já dizia um sábio ditado nos longínquos tempos do Brasil-Império.
A Monarquia acabou, veio a Primeira República, a Segunda, uma ditadura aqui, outra ali, a Nova República, a mais duradoura estabilidade democrática em mais de 500 anos de história, e as posturas são as mesmas. Defesas intransigentes apenas dos privilégios e que se danem os princípios.
Italianos e americanos têm, entre tantas, ao menos, uma clara vantagem sobre nós: Berlusconi sempre foi Berlusconi, Bush sempre foi Bush. Eles não enganaram ninguém. Em compensação, o ex-Lula, o ex-Márcio Braga, quanta empulhação e cinismo.
Definitivamente, o pior do Brasil é o brasileiro. Mas, porém e contudo, desesperar jamais!

Meios e fins
Segundo a "Veja", José Dirceu encontrou Ricardo Teixeira na última quinta para pedir ajuda contra sua cassação. Teixeira, como se sabe, controla não poucos parlamentares, integrantes da chamada "bancada da bola", gente que recebeu generosas contribuições da CBF em suas campanhas eleitorais e que é agradada, também, com exibições da seleção em suas bases eleitorais. O pedido de socorro faz sentido, considerada a confusão entre meios e fins que revela a que ponto o governo federal chegou. Mas só faz aumentar a torcida dos decepcionados pela degola do mais simbólico deputado do PT. O que foi isso, companheiro? Você imaginaria Che Guevara pedindo a ajuda de Fulgêncio Batista, o corrupto ditador derrubado pela Revolução Cubana?

@ - blogdojuca@uol.com.br

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