São Paulo, domingo, 20 de novembro de 2005

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FUTEBOL

O jogo é hoje

JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

Título de uma música de Paulinho Nogueira, o desta coluna celebra a partida de logo mais no Pacaembu.
Sim, de fato, o jogo é hoje.
Um grande jogo, protagonizado por estrelas do mundo do futebol como o clássico espanhol de ontem, em Madri?
Não, nem pensar!
Mas é o jogo que temos, embora pudéssemos ter melhor.
Emoção, certamente, não faltará. A adrenalina correrá solta no gramado, nas arquibancadas e na frente da TV.
Espera-se um jogo equilibrado e no qual o empate será um bom resultado para o Corinthians, que, dada a vantagem que aproveitou com a anulação de duas derrotas, pode administrá-la.
Se bem que um empate obrigará o Timão a buscar mais quatro pontos nas duas partidas que lhe restam, a última delas em Goiás, para não depender de ninguém.
Já o Inter, que passou a depender apenas dos seus resultados, precisa vencer.
Estrela de primeira grandeza no futebol mundial só mesmo uma, Carlitos Tevez, estará em campo. E olhe lá, pois ele nem sequer é titular de sua seleção.
É claro que há um Fernandão, um Sóbis, um Rosinei, um Tinga, um Fábio Costa, a promessa Eduardo (cujo desgaste físico num corpo ainda em formação é notório), Marcelo Mattos, Jorge Wagner, Gustavo Nery, todos bom jogadores.
Quando aqui se escreve que sem Tevez o Corinthians é um time comum, chove protesto. E, quando se diz que até com ele, e Roger, o Corinthians não encanta, não são poucos os que atribuem a opinião à má vontade com a MSI.
Se é verdade que a parceria incomoda mesmo, uma coisa é o exame crítico do que acontece fora do campo, outra é a análise do que se passa dentro.
E nos gramados o que se vê é sim um campeonato emocionante e equilibrado, embora manchado pelo escândalo que desabou sobre a arbitragem. Tão equilibrado que não teria sentido que alguém o vencesse com antecedência, fosse o Corinthians, fosse o Inter ou o Fluminense ou, quem sabe, até mesmo o Goiás.
Desnecessário dizer que, sem os quatro pontos recuperados, o Inter estaria um ponto na frente, o que comprova o equilíbrio, apesar de traduzir uma situação nada desprezível, qual seja a de que os gaúchos é que poderiam gostar de um empate, ainda mais na casa do concorrente direto.
Mas peço ao leitor desapaixonado uma avaliação: quais foram os jogos inesquecíveis do Corinthians nesta temporada? Não vale citar a goleada sobre o estropiado e de má vontade Santos.
Houve aquela vitória de 4 a 3 sobre o Cruzeiro, sem dúvida, mas fruto de má arbitragem.
E do Inter? Alguma que lembre os esquadrões de 1975/76/79?
Dá para comparar o Corinthians de hoje com o time do tricampeonato, de Dida, Kléber, Edu, Rincón, Vampeta, Ricardinho, Marcelinho, Edílson?
Compare com o time que acabou o jogo na derrota diante do São Caetano...
Sim, o jogo é hoje. Um jogaço. Mas sejamos realistas.

Ponte no caminho
Seja qual for o resultado do confronto desta tarde (e é bom lembrar que se o Internacional vencer, por um gol de diferença que seja, igualará também o número de vitórias do Corinthians e ficará com saldo de apenas dois gols a menos), a partida do domingo que vem, no Morumbi, contra a Ponte Preta, continuará a ser decisiva para o Timão no Brasileiro. Inevitável, portanto, lembrar das duas decisões que os clubes protagonizaram no mesmo palco, em 1977 (a maior alegria de toda uma geração de cinqüentões alvinegros) e em 1979. O Corinthians que quebrou o jejum também não tinha nenhuma estrela de primeira grandeza. Já o de 1979, campeão paulista como o de 1977, contava com Sócrates e Palhinha, além de Zé Maria e Wladimir (que estavam na equipe de dois anos antes), Amaral e mais Caçapava e Romeu. Ou seja, era melhor que o de hoje.

@ - blogdojuca@uol.com.br


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