São Paulo, Domingo, 28 de Novembro de 1999


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FUTEBOL
Torcida do Palmeiras divide hotel com a do Manchester e se prepara para possível confronto no Japão
Mancha testa força de hooligan inglês

FÁBIO VICTOR
enviado especial a Yokohama

De um lado, hooligans tidos como os mais violentos da Inglaterra. Do outro, integrantes da Mancha Alviverde, que nesta década criou a reputação de torcida mais irascível de São Paulo.
O encontro dos aficionados de Palmeiras e Manchester United, que decidem depois de amanhã, em Tóquio, o Mundial interclubes, tem ingredientes que podem tirar o sossego dos comportados torcedores japoneses.
Versão legalizada da Mancha Verde, extinta pela Justiça em 1996 por causa de uma briga no estádio do Pacaembu, no ano anterior, que causou a morte do torcedor são-paulino Marcio Gasparin, a Mancha Alviverde levará cerca de 200 integrantes ao Japão.
"Nós vamos lá para fazer festa, mas, se for para medir forças, não vai ter problema nenhum. Vamos ver se eles (os hooligans ingleses) são tão bravos quanto dizem", afirmou o líder da organizada, Paulo Serdan.
Segundo ele, no vôo oficial da torcida embarcarão 90 pessoas, mas vários aficionados desgarrados, além de dekasseguis (brasileiros descendentes de japoneses que trabalham no Japão) simpatizantes, se juntarão ao núcleo principal em Tóquio.
A comitiva comandada por Serdan deixou o Brasil na madrugada de ontem, pelo horário de Brasília, e deveria chegar à capital japonesa nas primeiras horas da manhã de hoje.
"Não acredito que teremos problemas. Vai ter a bagunça normal, mas, até pela minha presença, acho que o pessoal vai se comportar. Não está indo nenhum bobo, é só gente tarimbada", declarou o líder da Mancha.
Serdan acredita que o alto custo do pacote (US$ 1.733,00 por passagem ida e volta e três diárias em hotel categoria três estrelas) ajudou a "selecionar" o grupo, já que de certa maneira o elitizou.
Mas não é apenas o eventual encontro da Mancha com os hooligans no estádio que preocupa os organizadores da final.
Um foco de atenção especial da polícia de Tóquio deverá ser o hotel New Otani, próximo ao palácio imperial japonês.
Lá, sob o mesmo teto, se hospedarão um grupo de 70 torcedores do Palmeiras e cerca de 300 aficionados do Manchester.
A operadora Nikkey, responsável pela viagem do grupo brasileiro, recebeu há duas semanas a informação de que os ingleses já haviam feito reserva no hotel.
Tentou, então, convencer a comitiva palmeirense a trocar de lugar, mas não obteve êxito.
"A operadora que nos auxiliará no Japão nos recomendou que os brasileiros não ficassem no mesmo hotel, mas os coordenadores do grupo de palmeirenses acharam que não haveria problemas", disse à Folha o diretor de operações da Nikkey, Kuniji Fujita.
"Bati o pé para ficar lá. Conheço a minha turma, sei que é muito diferente de uma organizada. Espero que eles (os ingleses) estejam indo somente para apoiar o seu time, como nós estamos fazendo", declarou o coordenador do grupo palmeirense, o funcionário de importação da Varig Arnaldo de França Torres, 37.
Segundo ele, aproximadamente metade do grupo já integrou a antiga Mancha Verde.
"Mas é uma coisa que já passou. Hoje é um pessoal de mais idade, são pessoas mais esclarecidas. Além disso, a operadora está cadastrada no consulado, e nossos passos deverão ser vigiados 24 horas por dia", disse Torres.
Ele contou que está levando "um estoque de camisas para trocar e duas garrafas de uísque para bebermos juntos no hall do hotel", na tentativa de uma aproximação amigável com os "vizinhos" ingleses.
"Acho que pode dar confusão, mas espero que isso não ocorra. Ninguém vai para o outro lado do mundo para arrumar briga", afirmou o funcionário público Henrique Amaral, 32, um dos componentes do grupo.
Dentro do estádio Nacional, porém, os palmeirenses comandados por Arnaldo Torres deverão se juntar à Mancha Alviverde.
De acordo com Paulo Serdan, a organizada palmeirense levaria para o Japão dez bandeiras (uma de 10 m x 10 m), duas faixas e uma bateria com quatro surdos, cinco caixas e dois repiniques.
Dekasseguis simpatizantes da Mancha, que já entraram em contato com a organizada do Palmeiras, providenciarão bexigas, fumaça verde e mastros de PVC para as bandeiras.
"Não podemos levar muita coisa porque não sabemos o que vai ser permitido dentro do estádio", afirmou Serdan.


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