São Paulo, quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

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JUCA KFOURI

Festa do interior


Muita gente em Piracicaba e Ribeirão Preto, e maus resultados dos times da capital fora de casa


BOM PÚBLICO para ver o Palmeiras, em Piracicaba. Melhor ainda para ver o Corinthians, em Ribeirão Preto. E péssimo para ver o Rio Claro, em São Paulo.
É claro.
O Ituano e o Sertãozinho também não seriam atração na capital, assim como o São Paulo seria em Rio Claro ou em qualquer outra cidade do interior.
O curioso é que os mais de 12 mil torcedores que foram ver o Palmeiras viram o Ituano ganhar por 1 a 0 e um pênalti não marcado em Valdivia, no fim da partida, no Barão de Serra Negra.
Viram, ainda, o Palmeiras tomar mais um gol de bola alçada na área, como já virou habitual, e as inúteis estréias de Diego Souza e Lenny, que, no entanto, foram bem.
Já os mais de 25 mil que foram ao estádio Santa Cruz para torcer pelo Corinthians acabaram por ver o domínio do Sertãozinho num joguinho sem gols, até porque Finazzi perdeu mais um praticamente feito. Viram Felipe fazer boas defesas e o Corinthians perder Perdigão expulso, a substituição do ausente Acosta por Bóvio por causa da expulsão e a estréia apagada do argentino Herrera.
No Morumbi, as 6.000 pessoas que se dispuseram ao sacrifício de ir ao estádio tarde da noite puderam ver Adriano sofrer um pênalti não marcado no primeiro tempo e o tricolor sofrer para vencer, com gol do Imperador, de cabeça, e mais dois de Jorge Wagner, golaço, e de Hernanes: 3 a 1.
Resumo da ópera: pouco futebol dos grandes e a óbvia constatação de que o Campeonato Estadual só serve para alguma movimentação nos palcos do interior quando um clube popular os visita.

Embustes
A choradeira tricolor passou dos limites do razoável, ainda mais numa época em que o Morumbi rasga sua fantasia, seja ao trair o Flamengo, seja ao propor prorrogação de mandato na FPF, seja ao dar golpe em seu próprio estatuto. Pior só a FPF ao aceitar a pressão, talvez como agradecimento de seu presidente aos anos a mais que ganhou no poder por proposta do filiado chorão.
No Palmeiras, o complexo de perseguição bate recordes. Qualquer crítica "é coisa do Mustafá", até como quando a direção é pega numa mentira como no caso das cifras do contrato com a Fiat.
Ser campeão paulista virou tamanha obsessão que o clube pisa em ovos e nem sequer protestou diante do embuste de que foi vítima no caso do reconhecimento da Copa Rio. Mas a culpa é da imprensa, como era quando se dizia que a Fifa não reconheceria coisa alguma.
Nos alvinegros, a sensação é de vidas opostas. Embora o Corinthians é que esteja na segunda divisão, o ambiente no clube é de ilha da fantasia, onde está tudo bem, o dinheiro entrando como nunca, tudo resolvido, o Real Madrid que se cuide, ainda mais depois da parceria com o Barcelona (cadê?). Já o Santos, na primeira divisão, vive clima de terra arrasada, também porque mentiu ao dizer que tinha feito um centro de recuperação que, na verdade, era do Filé, não da Vila, e o Filé agora é à parmegiana.

blogdojuca@uol.com.br


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