São Paulo, segunda-feira, 22 de novembro de 2004

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MUNDO DIGITAL

Festival de linguagem eletrônica começa com nova seção de games

Arquivo aberto

DA REPORTAGEM LOCAL

Se no mundo virtual os gamemaníacos dispõem de inúmeras opções para criar seus avatares (personagens), na vida real eles vão estar, em breve, no meio de uma polêmica "binária" entre duas correntes teóricas de estudo dos games: os ludologistas e os narratologistas.
É essa discussão que o File (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica), que começa amanhã, quer trazer para o Brasil na nova seção de jogos interativos, o File Games. Para a ludologia, mais européia, os jogos não precisam de narrativa e valem como atividade lúdica; já a narratologia, mais norte-americana, entende o game como uma obra literária, texto ou filme editado coletivamente.
"O teatro grego era à base de narrativas mitológicas, enquanto o teatro romano era o Coliseu, cujo roteiro ia se desenvolvendo de acordo com as lutas", compara Ricardo Barreto, um dos organizadores do festival.
A nova polêmica, que está deixando para trás a antiga discussão sobre a violência dos jogos, vai ser ilustrada no festival por meio de textos de diversos pensadores. E as pessoas também poderão, é claro, jogar.
São cerca de 15 jogos (ludologistas e narratologistas), vindos de diferentes países. Um dos destaques é o anti-jogo "Velvet Strike", um software para pichar jogos que é uma crítica ao "Counter Strike". No setor luta, há um jogo on-line de capoeira, que não foi feito por brasileiros, mas sim por noruegueses, e reproduz movimentos como o rabo-de-arraia ao som do berimbau.
A aranha e o PacMan Além dos games, o público do File 2004 vai poder ver fotos tridimensionais imersivas, o primeiro longa metragem interativo (o dinamarquês "Switching") e obras como uma minissaia digital -um híbrido de moda e tecnologia, onde aparecem imagens e textos digitais. Ao todo, participam do festival 350 artistas de mais de 30 países, com trabalhos de web art, animações, robótica, música, performance e instalação.
A jovem artista plástica Anaisa Franco Nascimento, 23, vai participar com o projeto "Ssspiderrr" (www.ssspiderrr.com.br), uma aranha robótica feita de dedos, que também existe em uma realidade virtual criada por ela. As pessoas podem controlar o bicho pela web. "A aranha é um símbolo forte do feminino, a fêmea é sempre maior do que o macho", explica Anaisa. Ela afirma não ter se inspirado na mãozinha da família Adams, e sim nos seres modificados geneticamente, para construir a obra.
Já o artista plástico gaúcho Andrei Thomaz, 23, vai participar com o projeto "PacMan e o Minotauro", composto por seis trabalhos de web art: um jogo, uma proteção de tela, desenhos de labirintos, uma espécie de software de desenho, um projeto de intervenção urbana e o site www.rgbde signdigital.com.br/atravesdoespelho/ pacman_minotauro.
No projeto de intervenção urbana, o artista carimba livros com a figura do PacMan ou do Minotauro e doa os exemplares para bibliotecas públicas do Rio Grande do Sul. "A biblioteca também é um labirinto. Quando os livros forem retirados, os monstros se movimentarão, distanciando-se e aproximando-se de acordo com esse fluxo." (ALESSANDRA KORMANN)


FILE - FESTIVAL INTERNACIONAL DE LINGUAGEM ELETRÔNICA. De 23/11 a 12/12. Galeria de Arte do Sesi (av. Paulista, 1.313, tel. 0/xx/ 11/3146-7405, www.file.org.br). Grátis. FILE HIPERSÔNICA. 27/11, das 17h às 6h do dia seguinte. Casa das Caldeiras (av. Francisco Matarazzo, 2.000, tel. 0/xx/11/3873-6696).

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