São Paulo, terça-feira, 08 de agosto de 2006

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Maestro Moacir Santos morre aos 80 nos EUA

O compositor e arranjador, que recentemente fora escolhido o vencedor do Prêmio Shell de Música pelo conjunto de sua obra, não resistiu ao 2 derrame

Enterro será nos Estados Unidos, onde Santos vivia desde 1967; nos últimos anos, músico voltou ser homenageado no Brasil


DA SUCURSAL DO RIO

O compositor, maestro e arranjador Moacir Santos morreu no domingo, aos 80 anos, em Pasadena, Califórnia, onde vivia com a mulher, o filho e os três netos. Santos, que carregava seqüelas de um derrame sofrido nos anos 90, não resistiu a um segundo derrame. Seu corpo será sepultado nos EUA, para onde se mudou em 1967.
Em 18 de julho, Santos foi escolhido o vencedor deste ano do Prêmio Shell de Música, que contempla um compositor pelo conjunto de sua obra. Foi mais um da série de reconhecimentos que ele teve nos últimos anos. "Ele era o grande maestro da música afrobrasileira. Exerceu sobre nós uma influência serena, sem ir atrás de espaço na mídia", diz João Bosco.
Em 2001, quando ninguém no Brasil falava mais em Santos, os músicos Mario Adnet e Zé Nogueira lançaram o CD duplo "Ouro Negro", em que comandavam uma orquestra na execução de temas do compositor em seus arranjos originais -alguns acrescidos de letras de Nei Lopes. Entre os cantores que participaram do projeto, Gilberto Gil, Milton Nascimento e João Bosco. O próprio Santos cantou no disco, já que não podia mais tocar seu sax.
O CD ganhou prêmios, rendeu um DVD, estimulou o relançamento em 2004 do único álbum gravado por Santos no Brasil ("Coisas", de 1965), abriu portas para a gravação de um outro disco com temas do compositor ("Choros & Alegria", que ganhou o Prêmio Tim neste ano) e deu nova vida a ele, que passou a visitar mais o Brasil e a se sentir reconhecido.
"Ele esperou por isso e se foi. Tudo o que aconteceu o deixou feliz", disse Mario Adnet, que está realizando um DVD sobre Santos. O show para a entrega do Prêmio Shell, no Rio, acontece em novembro: uma orquestra tocará as composições, e o filho do maestro, Moacirzinho, receberá o troféu.
Nascido em Vila Bela, no sertão de Pernambuco, Santos cresceu em Flores do Pajeú (PE). Foi escolhido para cuidar dos instrumentos da banda de música da cidade e passou a ser orientado pelos músicos. Tornou-se um multiinstrumentista. Aos 14, começou a correr o Nordeste tocando em bandas.
No Rio, trabalhou na Rádio Nacional, em gravadoras e emissoras, e foi professor de músicos como Baden Powell, Paulo Moura, Roberto Menescal e Dori Caymmi. Participou de vários discos da bossa nova como arranjador. Parceiro de Vinicius de Moraes, foi homenageado em "Samba da Benção": "Maestro Moacir Santos, que não és um só, mas tantos."
Com a mudança para os EUA, ganhou projeção internacional como compositor de trilhas de cinema, trabalhando com Henry Mancini, e lançou quatro discos instrumentais.


Com RONALDO EVANGELISTA, colaboração para a Folha

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