São Paulo, sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

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CRÍTICA POP

Disco de estreia de Bruno Mars celebra a boa vida de popstar

RONALDO EVANGELISTA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

De "você sabe que eu faria tudo por você" a "quero você de volta, você é tudo que tenho". Da primeira à última faixa de "Doo-Wops & Hooligans", álbum de estreia do produtor, compositor e cantor de 25 anos Bruno Mars, passam meia dúzia de metáforas e abordagens para o amor e a vida boa de popstar na Califórnia.
Há a celebração das vidas violentamente cafonas e cheias de idealização romântica, mas a essência é radicalmente a mesma: dizer o que você quer ouvir.
Afinal, para que serve a canção perfeita no sol do verão? Inspirar você a sair e fazer algo com sua vida? Aspirar à não racionalização da familiaridade em nossos ouvidos? Trilha de dirigir, passear, gastar tempo? Se soa pedestre demais, é apenas para a máxima efetividade.
Música pop é encanto, e o fato de os elementos que fazem você se apaixonar (ou se desapaixonar) por uma música serem subjetivos, inexplicáveis e idiossincráticos não significa que não possam ser desenvolvidos em laboratório e reproduzidos em grande escala.
As inabaláveis pílulas genéricas de pop pós-ironia do disco de Mars têm uma ambição máxima e um destino claro: tornarem-se hits.
Quase como um reality show, que tem a notoriedade como um fim em si mesmo, e mais do que um jingle publicitário, que visa a máxima comunicabilidade, a adequação à marca e o desaparecer no background.
Naturalidade sintetizada, açucarismo à Justin Timberlake e Justin Bieber. Música pop feita para ser pop.
Como tal, é feita para onomatopaicamente explodir (estourar é outro termo comum) e, de modo inevitável, plantar o fim em seu começo, começar a morrer no exato momento em que nasce.
Bruno Mars está pronto para consumo, e é mais barato se entregar que torná-lo mártir do prazer culpado.

DOO-WOPS & HOOLIGANS
ARTISTA Bruno Mars
LANÇAMENTO Elektra/Warner
QUANTO R$ 56, em média
AVALIAÇÃO bom



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