São Paulo, sexta-feira, 18 de junho de 2004

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18 SP FASHION WEEK

Organizadores trazem maior delegação da história do evento, com 120 pessoas, para ver produção nacional

Internacionais vêem Brasil como renovação

ANDRÉ DO VAL
FREE-LANCE PARA A FOLHA

Os organizadores da São Paulo Fashion Week trouxeram para esta 18 edição a maior delegação internacional já vista até aqui. Ao todo, são 120 jornalistas, stylists e compradores credenciados nesta temporada, além de equipes de TV e fotografia.
Ainda que não tenham vindo nomes importantes que estiveram aqui em outras edições -como o editor Godfrey Deeny, do "Fashion Wire Daily", e Collin McDowell, do "Sunday Times" inglês-, muitos estão de volta e já começam a acompanhar a moda brasileira de maneira mais sistemática.
Sensualidade, jovialidade e diversidade ainda são a primeira menção, principalmente para os estreantes na temporada paulistana. Jornalista free-lancer da revista de estilo "Flaunt" e colaborador do importante jornal especializado "Women's Wear Daily", Robert Barr compara a sensualidade brasileira com a de sua cidade natal, Los Angeles, mas observa: "Nós somos mais agressivos em resposta ao puritanismo norte-americano. Aqui é tudo mais leve e natural".
Para Tiziana Cardini, diretora de moda da "Glamour" da Itália, o fato de o Brasil ser um "país novo" pede que tudo seja visto com mais atenção: "O que eu busco aqui é o cruzamento de idéias diferentes, usando a diversidade cultural do país".
Outro ponto que favorece o Brasil como fonte de renovação para o mercado global é um apontado diálogo da passarela com a rua. Tiziana Cardini acredita que é quando os estilistas tiram pistas do que está à volta que a brincadeira dá certo e diz estar de olho em publicações jovens, de moda e de comportamento. Barr concorda: "É preciso estar em sintonia com o que está ao redor -mas sem copiar outros estilistas".
O gancho é bom e remete a uma crítica clássica no que diz respeito à identidade da moda brasileira. O Brasil copia? "Todo mundo copia", explica Robb Young, free-lancer para a revista inglesa "i-D". "Não é a cópia que incomoda, mas sim a falta de assinatura", diz o jornalista.
Para o stylist britânico Judy Blame, que fez história na revista "The Face" nos anos 80 e agora acaba de fechar um contrato para assinar linhas de acessórios para a Comme des Garçons e Helmut Lang, é comum localizar a mesma inspiração em desfiles diferentes.
Para ele, que já assinou trabalhos de styling para Carlos Miele e está aqui desta vez para realizar um editorial com peças brasileiras e internacionais para a revista "i-D", a produção brasileira tem atingido ótimos resultados, apesar de não ter a mesma tradição que os europeus na moda.
Young observa, entretanto, que a qualidade e a preocupação rigorosa com o acabamento do produto final "made in Brazil" ainda não atingiram "o último estágio de desenvolvimento".
Akiko Ichikawa, da "Senken Shimbun" e da "Harper's Bazaar" do Japão, em sua quarta temporada no evento, posiciona a São Paulo Fashion Week como "o mais organizado evento de moda do mundo": "O diferencial são os desfiles num mesmo espaço e a decoração fantástica". Blame, também na quarta viagem, ficou surpreso com a estrutura já quando veio pela primeira vez. "Os ingleses são muito desorganizados", compara.
Os internacionais estão de olho em tudo. Armand Adida, o famoso comprador da multimarca francesa L'Eclaireur, ficou de olho no sapato de uma editora brasileira na primeira fila e foi logo perguntando de onde era. Interessou-se ao saber que levava a assinatura da brasileira Francesca Giobbi e quis imediatamente anotar o endereço da loja, no Jardim Europa. "Estou justamente procurando esse tipo de produto por aqui", disse.
A dupla de compradores Nicole Bernardo e Boris Denoval, da megaloja francesa Samaritaine, está no Brasil para descobrir novos estilistas a serem comercializados em Paris. "A imagem do Brasil no exterior é ligada a música, futebol, alegria e mix de religiosidade", diz Nicole. "Já a moda brasileira é conhecida por sua moda praia e pelas sandálias de plástico."
Para otimizar o tempo dos internacionais, foi montado, pela segunda vez no último andar da Bienal, o Salão Nacional de Moda e Design, que reúne 38 grifes e estilistas para a comercialização de seus produtos. O espaço funciona como um grande showroom.
Segundo a organização do evento, o investimento no salão foi de R$ 1,5 milhão. Além de Alexandre Herchcovitch, Rosa Chá e Cavalera (que fazem parte do casting de marcas que desfilam no evento), também participam do show- room os jovens estilistas do evento Amni Hot Spot, como Giselle Nasser e Fábia Bercseck, o designer de sapatos Mauricio Medeiros, Serpui Marie, Acessórios Modernos, Bella Golzer e Beth Salles, entre outros.


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