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"Brasil não tem criadores", diz Tito Bessa

Empresário classifica como absurda ideia de separar marcas conceituais de grifes comerciais nas semanas de moda

Dono da TNG fala que país não lança tendências e que marcas nacionais se "inspiram" em obras de outros estilistas

VIVIAN WHITEMAN
PEDRO DINIZ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O empresário Tito Bessa, dono da TNG, uma das marcas mais bem-sucedidas do país, divulgou um comunicado sobre a reportagem "Protesto na Passarela", publicada pela Folha em 22/5.

A "Ilustrada" ouviu estilistas de prestígio no mercado que apontaram, entre outras coisas, o desejo de estudar uma separação entre os desfiles de marcas conceituais e os de marcas comerciais nas semanas de moda.

"Caso isso realmente ocorra, as semanas de moda terão que alterar o seu nome para 'Day Fashion Week'", diz trecho do comunicado.

A Folha falou com Bessa depois de seu desfile, anteontem, no Fashion Rio:

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Folha - Faz sentido dividir as semanas entre criadores conceituais e comerciais?
Tito Bessa - Quantos criadores tem o país, falo de criadores de verdade? Não temos essa vocação. Misturam bom gosto com criação e se esquecem dos negócios. Fico perplexo quando levantam a bandeira de tirar as grifes comerciais das semanas de moda. Isso é absurdo.

Como você vê sua posição na moda hoje?
Eu entrei na semana de moda depois de muitos outros. E aí? O que eles geraram nos últimos dez anos? Ficam num mundinho fechado.

Quem lança uma tendência?
As tendências ainda vêm dos EUA, da Europa. Isso é centenário.

As marcas são copistas?
Algumas se inspiram em outros estilistas. Precisamos gerar movimento, precisamos sobreviver... Os consumidores esperam um pouco do que veem nas revistas.

Como você avalia a chegada ao Brasil de grandes marcas internacionais?
Vão matar os acomodados. Que bom. Eu me preparei, tenho estrutura. Quem não tem cabeça comercial, empresarial, vá montar um ateliê. Se você faz roupa sob medida, não vai desfilar. Como é que vão pagar o desfile?

Não deveriam desfilar?
Não sei. Se for para vender os bens, acho que não. Melhor ficar em casa. Daqui a pouco perdem a casa.

O Brasil precisa criar marcas de nível internacional?
Sabe o que precisa para uma marca brasileira se firmar lá fora? Di-nhei-ro.

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