Saltar para o conteúdo principal Saltar para o menu
 
 

Lista de textos do jornal de hoje Navegue por editoria

Ilustrada

  • Tamanho da Letra  
  • Comunicar Erros  
  • Imprimir  

Folhateen

Dieta forçada

Sistema público de saúde diminui idade para redução de estômago, mas médicos alertam: alimentação saudável e esporte ainda são o melhor remédio contra a obesidade mórbida

RODRIGO LEVINO EDITOR-ASSISTENTE DA “ILUSTRADA”

No mês passado, o Ministério da Saúde anunciou que vai diminuir de 18 para 16 anos a idade mínima para a realização de cirurgias de redução de estômago pelo SUS.

O procedimento é indicado para pacientes de até 65 anos que tenham obesidade mórbida.

Cerca de 21% dos brasileiros que têm entre dez e 19 anos estão acima do peso. Há 40 anos, o percentual era de 3,5%.

Foi a partir desse crescimento e de uma consulta a profissionais envolvidos no tratamento contra a obesidade que o ministério baseou a portaria que deve entrar em vigor em janeiro de 2013.

Entre 2003 e 2011, foram realizadas quase 80 mil cirurgias bariátricas, como elas são chamadas (a bariatria é o ramo da medicina que estuda a obesidade), em hospitais brasileiros públicos e privados.

Desse total, o percentual de adolescentes mal chega a 5%. Isso tem razão de ser. A cirurgia é um recurso pouco recomendado para essa faixa etária.

A redução de estômago é uma intervenção brusca.

Os métodos mais empregados são a aplicação de um anel de silicone ajustável que, quando inflado, diminui a capacidade de armazenamento do órgão e o grampeamento de parte do estômago. A recuperação é lenta.

"Do dia para a noite você é obrigado a se alimentar em quantidades mínimas até que o corpo se acostume com a nova realidade", diz Ricardo Cohen, cirurgião e pesquisador do hospital Oswaldo Cruz, de São Paulo.

"É preciso muito preparo físico e psicológico para enfrentar as transformações."

Cohen, que já atendeu a mais de 5.000 pacientes com o problema, diz ter feito a operação em menos de uma dúzia de adolescentes.

A redução é um recurso usado "depois do insucesso de todas as tentativas de tratamento", explica o médico Almino Ramos, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

BULLYING

Os dois especialistas alertam para um aspecto errado e recorrente a respeito do tema.

A cirurgia bariátrica não é um corretivo estético.

Almino Ramos explica: "O que tentamos é ajudar pessoas que tem sérias complicações decorrentes da obesidade mórbida e tiveram a vida prejudicada por isso".

Por complicações, entendam-se diabetes, hipertensão, apneia do sono, artrose e até problemas de pele.

"Nessa fase da vida, quando estão mais expostos ao bullying por causa dos quilos a mais, adolescentes podem ser levados a crer que tudo se resolverá com a redução de estômago", diz Cohen.

Não é assim. Médicos apostam sempre em um tratamento multidisciplinar que envolve nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas.

Os objetivos são a reeducação alimentar do paciente e o estímulo à prática de esportes. Ou seja, a velha receita para evitar sobrepeso e ter mais saúde.

Segundo dizem os especialistas, o maior desafio é tirar os jovens da frente do computado e dos seus quartos para mostrar que vale a pena comer mais saudavelmente e praticar alguma atividade física. "Sob o risco de se transformarem em pessoas doentes se não focarem nisso", alerta Ramos.

CALVÁRIO

Para os adolescentes que a partir do ano que vem poderão procurar o SUS para realizar a cirurgia, as notícias não são boas.

A estrutura do sistema único de saúde está longe de atender a demanda pelo procedimento. A demora na fila de espera pode ir de 4 a 12 anos, a depender do caso.

Um jovem de 16 anos, por exemplo, pode acabar sendo operado já na idade adulta, aos 28. Na rede privada, uma cirurgia bariátrica custa em média R$ 10 mil.

O que é obesidade mórbida?

É o acúmulo de gordura corporal, levando a um aumento de peso superior a 25% do peso ideal. A morbidade é todo o tipo de complicação provocada por determinada doença que põe em risco a saúde do paciente

Como saber se você é obeso:

Divida o seu peso (em quilos) pela altura (em centímetros) ao quadrado. Resultados superiores a 35 indicam obesidade. A partir de 40, obesidade mórbida

*Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica

SAIBA MAIS

SOBREPESO INFANTIL É TEMA DE DOCUMENTÁRIO

Entrou em cartaz na sexta-feira (16) o documentário "Muito Além do Peso". O filme da diretora Estela Renner discute a questão da obesidade infantil, tanto no Brasil quanto em outros países, e mostra que cresce o número de crianças acima do peso.


Publicidade

Publicidade

Publicidade


 

Voltar ao topo da página