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Crítica arquitetura

Obra fundamental suscita debate entre arte e economia

Trabalho investiga a contaminação da arquitetura pela lógica do capitalismo

GUILHERME WISNIK ESPECIAL PARA A FOLHA

"Arquitetura na Era Digital-financeira", de Pedro Fiori Arantes, é um livro fundamental para se compreender o mundo contemporâneo.

Fiel à perspectiva marxista, o autor enxerga a arquitetura como o campo de cruzamento entre as instâncias simbólicas da arte e as esferas da produção material (construção) e imobiliária.

Contudo, atualiza essa mirada crítica incluindo elementos que tomaram a cena nas últimas décadas: as tecnologias digitais e a economia financeira, deduzindo daí o conceito de "renda da forma".

Arantes foca a produção arquitetônica dos anos 1990 e 2000, isto é, obras de grande alcance midiático, cujas proezas formais parecem representar uma ausência de limites técnicos e materiais, em movimento semelhante ao do capital financeiro, que já não se ampara nem se restringe pelo mundo da produção.

O declínio da tectônica e o aspecto polimorfo da arquitetura de ponta, portanto, parecem espelhar os excessos do capital especulativo sem lastro material, isto é, a derrocada ética e social do mundo nos anos de neoliberalismo.

Daí também a possível analogia entre a forma inflada e etérea de muitos edifícios e a bolha financeira.

Mas a interpretação de Arantes vai muito além dos paralelos formais, analisando os paradoxos entre a digitalização do desenho e o caráter de joalheria da produção desses edifícios excepcionais.

Ou, ainda, apontando as consequências da circulação (e do consumo) da arquitetura enquanto imagem no mundo globalizado, bem como a nova dinâmica empresarial dos grandes escritórios de projeto com capital aberto.

Colaborador da Usina, que realiza projetos para mutirão, Arantes combina teoria e prática de modo coerente e militante, o que é, seguramente, uma grande virtude.

IMPASSES MODERNOS

Contudo, como o seu juízo crítico emerge do mundo da produção, não escapa de certos impasses ainda modernos do marxismo nos dias atuais.

Quero dizer: será possível manter a pedagogia do trabalho como baliza ética em um mundo que deslocou a ênfase econômica da produção para a oferta de serviços?

Ou ainda: o que resta da equivalência entre forma e processo produtivo depois da era dos plásticos e da eletrônica?

Colocando um pouco em suspenso a correspondência moral entre produção e forma, é possível enxergar a evanescência de certas obras atuais como formulações críticas acerca da crise do mundo atual.

Isto é, a natureza "informe" de parte da arquitetura recente pode não ser apenas um reflexo do capital, mas também a formalização tensa de um estado de dúvida.

Não é sempre que se deve cobrar da arquitetura a resolução de problemas sociais.

Seu papel pode ser também o de formular problemas filosóficos. São questionamentos que apenas um grande livro como esse poderia instigar.


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