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Morre o curador e crítico Walter Zanini

Nome central na projeção da arte do país no exterior, ele foi o 1º diretor do MAC-USP e realizou duas bienais de SP

Historiador incorporou obras de peso ao acervo do museu e ampliou escopo da instituição para incluir vanguarda

DE SÃO PAULO

Um dos maiores curadores e historiadores das artes visuais do país, Walter Zanini morreu ontem, em São Paulo. Ele nasceu em 1925. As causas da morte não foram divulgadas pela família.

Depois de estudar história da arte em Roma, Paris e Londres, Zanini foi o primeiro diretor do Museu de Arte Contemporânea da USP, cargo que ocupou entre 1963 e 1978. Ele também esteve à frente de duas edições da Bienal de São Paulo, em 1981 e 1983, e ajudou a projetar o Brasil no cenário global das artes visuais.

No comando do MAC-USP, Zanini ajudou a moldar o perfil da instituição formada a partir da doação do acervo do Museu de Arte Moderna. Ele foi responsável pela ampliação de seu escopo e ajudou a incorporar novas linguagens, como vídeo e fotografia, ao acervo do novo museu.

Ao mesmo tempo em que buscou analisar o legado da arte moderna a partir do acervo, hoje com quase 10 mil obras, Zanini fez do MAC uma vitrine para novas vanguardas que então se firmavam.

Entre as mostras que organizou no espaço, estão individuais de fotógrafos como Brassaï, Henri Cartier-Bresson, e do artista Josef Albers.

Foi também no MAC sob Zanini que figuras hoje consagradas da arte do país, como Regina Silveira, Cildo Meireles e Artur Barrio, despontaram como grandes nomes.

AQUISIÇÕES-CHAVE

Zanini engrossou o acervo do museu com aquisições de peso de obras de estrangeiros, como Lucio Fontana e Josef Albers, além de modernos, como Lasar Segall e Anita Malfatti, e dos geométricos Ivan Serpa, Waldemar Cordeiro e Franz Weissmann.

Numa negociação com a Tate Modern, de Londres, Zanini trocou em 1972 um bronze de "Formas Únicas da Continuidade no Espaço", escultura do futurista italiano Umberto Boccioni, por uma peça do britânico Henry Moore.

Mesmo durante o regime militar, Zanini se firmou como um visionário no país. "No Museu de Arte Contemporânea, nossas exposições dedicados a novos experimentos foram mantidos -com certo risco", lembrou Zanini em entrevista ao crítico suíço Hans Ulrich Obrist, em livro publicado pela Cobogó.

Ele se firmou como primeiro curador-geral da Bienal de São Paulo de 1981 e continuou na posição na edição seguinte, em 1983.

Em sua 30ª edição, o festival Videobrasil deste ano planeja uma homenagem a Zanini, considerado um pioneiro na difusão do vídeo no país. A mostra está marcada para outubro, no Sesc Pompeia.

O corpo de Zanini foi velado ontem à tarde no cemitério da Vila Alpina, na zona leste, e seria cremado no local às 16h, após o fechamento desta edição. (SILAS MARTÍ)


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