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Novo livro analisa a arquitetura de hospitais de Lelé

Pioneiro da construção com peças pré-fabricadas, João Filgueiras Lima revê seus projetos na área da saúde

Arquiteto fez o primeiro hospital a pedido de Oscar Niemeyer e reconhece influência do mestre modernista

SILAS MARTÍ DE SÃO PAULO

Voltando a Brasília de uma viagem ao Rio em 1963, João Filgueiras Lima, o Lelé, e sua mulher, Alda, sofreram um grave acidente de carro. Ela ficou dois meses internada.

Foi o tempo em que Lelé se tornou amigo de médicos e diretores do hospital e começou a delinear sua arquitetura para "espaços de cura".

Quatro anos depois, a convite de Oscar Niemeyer (1907-2012), projetou o hospital de Taguatinga, em Brasília, o primeiro de uma série que fez de Lelé um dos maiores nomes da arquitetura hospitalar.

"Arquitetura: Uma Experiência na Área da Saúde", livro lançado agora, reúne todos esses projetos, em especial os hospitais da rede Sarah, que deram fama a Lelé por sua estratégia de integrar espaços internos e externos e pela industrialização dos métodos de construção, com elementos pré-fabricados.

Sua arquitetura, como ele define, não é "artesanal", é "industrial", a tentativa de integrar tecnologias em busca de uma beleza funcional.

"É um pensamento industrial", diz Lelé, 81, à Folha. "Nas fábricas de automóveis, as peças vêm de lugares diferentes e são montadas sem que o carro vire um Frankenstein. Isso é fundamental num processo de industrialização, e é também a maior característica das minhas obras."

Mas, por nítida influência de Niemeyer, de quem diz ter herdado conceitos de espaço, Lelé também enfatizou as curvas em seus hospitais construídos. São estruturas metálicas que, mesmo montadas a partir de peças distintas, dão sensação de movimento contínuo às obras.

Lelé conta que todas as curvas e formas orgânicas em seus prédios seguem o mesmo princípio construtivo. Embora pareçam diferentes em cada projeto, suas telhas estão articuladas em esqueletos metálicos semelhantes.

"Essa coisa de construir e entender o prédio nas suas entranhas vem da indústria", diz Lelé. "Tem a procura constante da beleza, mas é como um ser humano, que não pode ser só pele. Precisa dos músculos e dos ossos. Essas coisas estão integradas."


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