São Paulo, Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2000


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QUADRINHOS NA REDE

Heróis passam do papel para a tela do micro

Quadrinhos invadem Internet

Associated Press - 14.dez.1995
Cena de filme com o Homem-Aranha, personagem criado pelo norte-americano Stan Lee, que está na Internet no site www.marvel.com


FRANK HOUSTON
do New York Times News Service

Depois dos super-heróis de sua criação, o nome de Stan Lee é um dos mais conhecidos no mundo das histórias em quadrinhos. Nos muitos anos em que passou escrevendo e atuando como editor da Marvel Comics, Lee ajudou a criar personagens famosos como o Homem-Aranha, o Surfista Prateado, os X-Men e outros.
Em seus 60 anos de carreira, tornou-se um dos autores mais lidos dos Estados Unidos. Sua influência sobre a cultura popular é tão grande que é motivo de espanto para ele próprio.
Agora, aos 76 anos, Lee quer criar na Internet. Seu site (www.stanlee.net) promete lançar uma nova história em estilo de quadrinhos, chamada "The Seventh Portal" (O Sétimo Portal).
É a primeira série nova criada por Lee desde que se tornou o publisher da Marvel Comics, em 1972.
Stan Lee, que está escrevendo todas as tramas de "The Seventh Portal", disse que os episódios terão duração de cinco minutos e que cada um vai oferecer "o equivalente a uma história em quadrinhos de dez páginas, mas com muito mais detalhes e mais coisas acontecendo".
A história é sobre uma equipe internacional de testadores beta que são transportados pela Internet, ingressando em outra dimensão, onde ganham superpoderes e combatem o maligno Mongorr.
"A idéia é que existem sete portais que levam para outras dimensões", disse Lee. "Mongorr conquistou os outros seis. O sétimo leva à Terra. O trabalho dos heróis é impedir que ele o encontre", afirmou.

Estímulo
Stan Lee fez sua carreira com trabalhos criados com papel e caneta. Ele espera que seus quadrinhos on line também estimulem o interesse do público pelas histórias em quadrinhos feitas em papel. A ajuda seria bem-vinda para as editoras de HQ.
A falência da editora Marvel, em 1996, foi um dos sintomas de uma queda que afetou toda a indústria dos quadrinhos, após curta fase de crescimento no início dos anos 90. As vendas já voltaram ao patamar de dez anos atrás, mas a maioria dos observadores avalia que as histórias em quadrinhos foram prejudicadas -ou até mesmo suplantadas- pelos videogames caseiros e pela Internet, tecnologias voltadas diretamente para o público básico dos quadrinhos tradicionais.

Experiências
Como a "Slate" e a "Salon", revistas criadas especificamente para a Web, as histórias em quadrinhos vêm sendo produzidas on line desde 1996, mas sem alarde. Artistas e autores vêm fazendo diversas experiências com o novo formato.
Os quadrinhos na Internet variam de reproduções de quadrinhos em papel a trabalhos que misturam desenhos e animação. Até agora, porém, poucas histórias conseguiram atrair muita atenção.
Para Buddy Scalera, editor on line da revista de fãs de HQ "Wizard", "o bom é que a Internet é um campo totalmente aberto. Até agora, ninguém criou histórias on line de grande sucesso. Se alguém puder fazê-lo, esse alguém provavelmente é Stan Lee."

Chegada
Os personagens da Marvel aterrissaram na America Online em 1996, numa série de Cybercomics (ciberquadrinhos) semanal, e as histórias do Homem-Aranha, Wolverine e vários outros vêm evoluindo na rede. Os Cybercomics também podem ser encontrados no site www.marvelzone.com. O internauta precisa registrar-se no site, mas o registro é gratuito.
O presidente da Marvel, Peter Cuneo, informa que há pouco tempo os novos episódios passaram a ser divulgados mensalmente e, de agora em diante, guardarão relação mais direta com as publicações da Marvel vendidas nas bancas.


Tradução de Clara Allain.


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