Ministro estuda alterar conteúdo nacional
Eduardo Braga (Minas e Energia) diz que haverá flexibilização e volta a se declarar contra o modelo de partilha
Braga disse ainda que a queda nos preços do petróleo deve adiar a oferta de áreas do pré-sal para 2017
O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, afirmou que está sendo estudada uma flexibilização das exigências de conteúdo nacional na fase de produção dos projetos de petróleo no Brasil.
Atualmente, as empresas, ao adquirirem área em leilão, comprometem-se com percentuais mínimos de contratação na indústria nacional.
"[Será] uma flexibilização muito bem calibrada. Para essa rodada [no fim do ano], não vai dar tempo. Mas estamos efetivamente trabalhando."
Braga disse ainda que a queda nos preços do petróleo deve adiar a oferta de áreas do pré-sal, no modelo de partilha, para 2017.
O único leilão organizado pela ANP nesse modelo regulatório, exclusivo para blocos com forte potencial de reservas no pré-sal, foi realizado em outubro de 2013.
Tal modelo determina que a Petrobras entre como operadora e investidora em todos os blocos, com participação mínima de 30%.
Ao ser questionado sobre a tendência de os leilões ficarem para 2017, Braga disse que "pode ser que sim".
"Não tem como fazer uma previsibilidade tão grande, numa distância tão grande, com um mercado tão volátil como está. Estamos falando de áreas de grande potencial. Fazer isso em momento de viés de baixa não é interessante para o país", afirmou o ministro em Houston, nos EUA.
Braga viajou à cidade texana para participar da OTC, feira mundial da indústria do petróleo especializada em exploração e produção em reservas submarinas.
REVISÃO DO MODELO
Braga voltou a defender que seja revista a exigência de que a Petrobras seja sócia obrigatória de ao menos 30% de cada bloco de exploração e produção do pré-sal.
Segundo o ministro, a queda da exigência poderia ser "uma boa estratégia". Mas o assunto não está sendo discutido pelo governo, disse.
O ministro aproveitará para encontrar-se com representantes de cinco empresas globais do setor de exploração e produção, com o objetivo de falar das áreas com potencial de extração de petróleo que serão oferecidas ao mercado no último trimestre deste ano, no modelo regulatório de concessão --que vale atualmente para todas as demais regiões com potencial petrolífero fora do pré-sal.
Segundo Braga, a chamada 13ª rodada será apresentada à americana Exxon, à britânica BP, à anglo-holandesa Shell, à francesa Total e à anglo-australiana BHP --líder mundial em mineração, mas que também atua no setor de petróleo.
A previsão é que sejam oferecidas 269 áreas, em bacias no mar e em terra. Na bacia de Campos, de onde sai 70% do petróleo brasileiro, haverá blocos em águas rasas.
Não serão oferecidas áreas da bacia de Santos, onde estão as mais promissoras reservas do pré-sal. Segundo o ministro, as principais ofertas serão em Alagoas e em Sergipe.
Para Braga, será possível arrecadar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões.

