São Paulo, segunda-feira, 21 de março de 2011

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Poupança volta a bater inflação em março

Confirmada projeção de rendimento no mês, será a primeira vez desde outubro que aplicação superará o IPCA

Previsão é que IPCA fique em 0,57% em março; caderneta com vencimento no dia 1º terá retorno de 0,62%

TONI SCIARRETTA
GIULIANA VALLONE
DE SÃO PAULO

Após perder três meses seguidos para a inflação, as principais aplicações financeiras conservadoras líquidas -poupança, CDBs, fundos DI e fundos de renda fixa- deverão superar ou pelo menos empatar com os índices de preço em março.
A previsão é que o IPCA, índice que é referência para a meta de inflação, fique em 0,57% em março -após subir 0,8% em fevereiro- e que o IGP-M (índice calculado pela Fundação Getulio Vargas) recue de 1% para 0,75%.
Confirmada a projeção, será a primeira vez desde outubro do ano passado que a poupança deverá ficar acima da inflação pelo IPCA.
A poupança com vencimento no dia 1º de abril terá retorno líquido de 0,62%.
Os fundos de renda fixa e os fundos DI, que foram beneficiados pelo aumento de 0,5 ponto nos juros em março, também devem superar o IPCA pela primeira vez desde novembro do ano passado.
Os fundos DI com taxa de administração de 2% devem ter ganho líquido de 0,68% a 0,75% em março; em fevereiro, renderam de 0,72% a 0,79% -abaixo do IPCA de 0,8%.
Neste mês, os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) deverão render 0,85% -descontado o IR, o ganho cai para de 0,66% a 0,72%.
"Existe um pequeno recuo da inflação e os juros dos fundos têm aumentado. Vai ficar melhor e o investidor vai ganhar alguma coisa, dependendo da taxa de administração e do imposto de renda", disse Fabio Colombo, administrador de investimentos.

PROTEÇÃO
Para se proteger dos solavancos da inflação, o investidor pessoa física tem poucas alternativas. A principal delas é adquirir fundos de investimento -ou comprar diretamente títulos do Tesouro Direto- que tenham garantida a correção pelo IPCA e mais uma taxa de juros.
O problema é que, a exemplo do que acontece com as ações muito procuradas, quem adquiri-los agora corre um risco grande de "comprar na alta" e amargar prejuízo.
Quem compra "proteção tardia" contra inflação vai perder duas vezes. A primeira será quando o Banco Central elevar mais os juros para controlar a inflação.
Esse movimento costuma ser um choque no valor dos papéis prefixados com taxas menores, que ficam defasados em relação às taxas mais recentes dos novos títulos.

PREJUÍZO
O segundo choque ocorre quando a inflação começa a recuar, reduzindo o retorno final desses papéis.
"Eu posso apostar na alta da inflação e comprar um título atrelado a um índice de preços para vender, mais para a frente, a um preço maior. Mas pode acontecer de o governo tomar medidas na direção certa e a inflação baixar", afirma George Ohanian, professor do Insper.
"Comprar papel corrigido pela inflação só protege em longo prazo", diz Colombo.
Para ele, a tendência desses papéis é compensar ao longo do tempo. A expectativa é que a inflação recue e o rendimento seja mais favorável para os fundos DI e de renda fixa, ao contrário do que vinha ocorrendo com papéis corrigidos pela inflação.


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