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'Direitos humanos não melhoraram', diz iraniano

Para ativista, presidente Hasan Rowhani não conseguiu confrontar aiatolás até agora

DANIEL MÉDICI DE SÃO PAULO

Abdol-Karim Lahidji, 70, possui um histórico notável para um ativista de direitos humanos. Foi perseguido por dois regimes ditatoriais antagônicos em seu país.

O iraniano sobreviveu a um atentado em 1978, durante o regime do xá Reza Pahlavi, e se tornou desafeto dos aiatolás após a revolução. Fugiu do país em 1982 para se exilar na França.

Atualmente, ele preside a Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH), ONG com sede em Paris.

Apesar de enxergar um processo de abertura, seu balanço do Irã um ano após a eleição do presidente Hasan Rowhani não vê avanço no campo dos direitos humanos.

"Rowhani é um reformista, mas continua sendo muito conservador", afirma.

Lahidji se mostra otimista, porém: acredita que, com a popularidade do presidente, a pressão popular vai forçá-lo a entrar em atrito com o líder supremo, Ali Khamenei.

Leia, a seguir, a entrevista sobre a situação iraniana.

Folha - Ao eleger Rowhani no ano passado, a população acreditava na melhora da situação dos direitos humanos?
Abdol-Karim Lahidji - Rowhani havia feito, sim, muitas promessas no que diz respeito a liberdade de imprensa, liberdade de uso da internet, direito de livre associação etc. Elas não foram cumpridas.

Por quê? A sociedade tem cobrado uma abertura?
Porque quem comanda o Judiciário do país é [o líder supremo, aiatolá Ali] Khamenei. É ele quem nomeia o chefe do Judiciário. Mas alguns setores que votaram em Rowhani têm começado, sim, a cobrar uma atitude crítica em relação aos clérigos, o que ele ainda não o fez.

Como o governo dele se compara ao do antecessor, Mahmoud Ahmadinejad?
Sua personalidade e atitude política, num primeiro momento, foram totalmente opostas a Ahmadinejad. Rowhani se mostrou mais aberto a reformas, tolerante.
Por isso, e desde então, ele tem obtido avanços na relação com as potências ocidentais, principalmente na construção de um acordo nuclear e na suspensão provisória das sanções.

Isso se reflete em sua popularidade?
Sim, com certeza. Espera-se que o relaxamento das sanções se reflita na economia do país.
Ao mesmo tempo, a situação dos direitos humanos não está melhor nem pior que nos tempos de Ahmadinejad. Neste ano, houve 330 execuções no país.

Qual o prognóstico que o sr. tem para a questão dos direitos humanos no Irã?
Acredito que, com o esperado sucesso de Rowhani, haverá pressão popular para um avanço significativo nos direitos civis. Ele não tem como fazer isso sem entrar em atrito com os aiatolás, mas creio que, com a pressão popular, Rowhani não terá outra alternativa senão confrontar diretamente Khamenei.

Recentemente, houve polêmica em torno da prisão de um grupo de jovens por causa de um vídeo gravado com uma música ocidental ["Happy", de Pharrell Williams]...
Oficialmente, diversos sites e redes sociais são proibidos no Irã, como o YouTube e o Facebook. Apesar disso, cerca de 4 milhões de iranianos têm acesso a eles.
O regime sabe disso e, de vez em quando, efetua prisões, como intimidação.

Rowhani é capaz de empreender uma reforma democrática no país?
Em que pese Rowhani ser um reformista, a favor de abrir o país para a modernidade e defensor do fim da censura à internet, por exemplo, ele ainda é muito conservador. Ele não pretende tirar os aiatolás do poder.


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