Saltar para o conteúdo principal Saltar para o menu
 
 

Lista de textos do jornal de hoje Navegue por editoria

Mundo

  • Tamanho da Letra  
  • Comunicar Erros  
  • Imprimir  

Marcos Troyjo

Além de Fazenda e Itamaraty

O êxito internacional do Brasil só pode se dar com um modelo que responda à nova trama global

O lugar do Brasil no mundo foi para o centro do debate. À medida que se aproximam eleições presidenciais, nota-se que o tema da inserção externa do País --sua participação nos fluxos globais de poder e riqueza-- deixou de ser apenas assunto para diplomatas, militares e círculos restritos do pensamento nacional.

Empresários, jornalistas, acadêmicos, sindicalistas, ongueiros --todos passaram a ter opinião mais ou menos bem fundada sobre alianças regionais, predileção pelo multilateralismo, parcerias comerciais, relações com EUA e Europa ou cooperação com países emergentes.

Nesse bem-vindo exercício, clara tendência salta aos olhos. Em diferentes modulações, a sociedade parece supor que nossa inserção global resulta sobretudo de duas variáveis: gestão macroeconômica e política externa.

É claro que bom manejo cotidiano de variáveis monetárias e fiscais é imprescindível. Não há dúvida de que defesa da moeda e credibilidade da autoridade econômica desanuviam preocupações e ajudam a construir horizontes de longo prazo.

Na mesma linha, a diplomacia é tanto mais eficaz se conduzida por profissionais investidos no interesse nacional, não em afinidades aparentadas ao ilusório contraste esquerda/direita ou Norte/Sul.

Nessa abordagem incompleta, entende-se que daríamos largada a uma nova inserção internacional com dois movimentos.

Por um lado, mudança de titulares na Fazenda e no Banco Central que trouxesse novos ares de confiança e competência técnica.

Por outro, rebocar o Itamaraty da atual condição coadjuvante para que se não se reproduzam os recentes tiros n'água --terceiro-mundismo, liderança regional autoatribuída, mediação do impasse nuclear no Irã, apego fundamentalista ao multilateralismo e tantos outros.

Readequações na política macroeconômica e na diplomacia não bastam, contudo, para o sucesso da inserção externa. Nosso êxito internacional só pode se dar com um modelo de "governança da estratégia" que responda de forma estruturada à nova trama global.

Nada de dirigismo --mas o Brasil carece da visão e coordenação necessárias na confluência das frentes industrial, comercial e tecnológica. Não relaciona reformas internas à melhoria de ambiente de negócios e à competitividade externa.

Resultado: padece para se atrelar às cadeias transnacionais de valor. Não tem ideia do que fazer ante esta "China 2.0" de grande escala econômica e sofisticada tecnologia. Arrasta-se na formação de elites para o campo do conhecimento e do empreendedorismo.

Nenhum dos desafios dessa "reglobalização" em que estamos ingressando compõe o cardápio de atribuições da dupla "Fazenda-Banco Central" ou do Itamaraty.

Apesar da hipertrofia burocrática, inexiste no organograma, na prática e no conteúdo do Estado brasileiro, instância que, em interação com a sociedade, formule e articule ações estratégicas.

Pena. Nossa inserção internacional é coisa séria demais para ser atribuída tão somente a macroeconomistas e diplomatas.

mt2792@columbia.edu


Publicidade

Publicidade

Publicidade


Voltar ao topo da página