Saltar para o conteúdo principal Saltar para o menu
 
 

Lista de textos do jornal de hoje Navegue por editoria

Mundo

  • Tamanho da Letra  
  • Comunicar Erros  
  • Imprimir  

Índia divulgará nome e foto de condenados por estupro

Vítima do ataque que foi estopim de protestos morre após 13 dias de internação

Governo adota medidas visando conter revolta no país contra abuso de mulheres; adolescente se suicida após violação

Saurabh Das/Associated Press
Manifestante acende vela em protesto por estupro, na Índia
Manifestante acende vela em protesto por estupro, na Índia
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O governo da Índia anunciou ontem que vai divulgar nomes, fotos e endereços de milhares de condenados por estupro, em uma tentativa de conter os protestos relativos à violência sexual contra as mulheres no país que já duram mais de uma semana.

Ontem, a estudante de fisioterapia de 23 anos que foi vítima de estupro coletivo num ônibus da capital, Nova Déli, morreu no hospital de Cingapura onde estava internada. Ocorrido 13 dias atrás, seu caso fez eclodirem as manifestações em todo o país.

Segundo o ministro indiano de Assuntos Internos, RPN Singh, comandantes da polícia, ativistas e especialistas vão se reunir na próxima semana para discutir o esquema de divulgação dos nomes.

"Planejamos começar o processo de identificação em Nova Déli. Os nomes, fotos e endereços dos estupradores também serão colocados no site da polícia da capital", afirmou o ministro ontem.

Apoiada por entidades de defesa dos direitos das mulheres, a decisão é controversa. Alguns comentaristas temem que a identificação dos condenados por estupro provoque linchamentos.

Outros argumentam que o alcance da medida será limitado, já que apenas 25% das acusações de estupro na Índia resultam em condenação -além disso, muitos casos demoram a ser resolvidos pela Justiça, e outros tantos não são nem sequer denunciados.

"É verdade que o risco desses ataques existe. Mas, hoje, é a vítima que sofre com a vergonha e a rejeição social", afirmou Ranjana Kumari, diretora do Centro de Pesquisa Social de Nova Déli, ao jornal britânico "The Guardian".

"A medida vai garantir que o estuprador seja objeto de repulsa. Ele não conseguirá emprego nem moradia e será afastado do convívio com a sociedade. Funcionará como um meio poderoso de intimidação", acrescentou ela.

Morta ontem, a vítima do estupro coletivo em Nova Déli não teve o seu nome divulgado, mas parte da mídia indiana a chama de "Amanat", palavra da língua urdu (falada na Índia e no Paquistão) que significa "tesouro".

Violentada e jogada do ônibus em movimento no dia 16 de dezembro, a jovem fora transferida pelo governo indiano para o hospital Mount Elizabeth, em Cingapura (sudeste da Ásia), para receber tratamento especializado.

SUICÍDIO

Ontem, a imprensa da Índia divulgou um novo caso de violência: uma adolescente de 17 anos se suicidou no Estado de Punjab, no noroeste do país, depois de ter sido estuprada por dois homens no mês passado e ter tido sua queixa ignorada pela polícia.

Antes de se matar ingerindo veneno, a adolescente gravou um vídeo em que, com o rosto coberto, denunciava o caso e a omissão da polícia.

Em entrevista a uma emissora de TV, a irmã da vítima acusou os policiais de pressionar a adolescente a fazer acordo com os estupradores ou se casar com um deles.

Um dia depois do suicídio, a polícia deteve os acusados de estupro e uma mulher que presenciou o ataque. Também suspendeu o delegado que não deu andamento à queixa.


Publicidade

Publicidade

Publicidade


 

Voltar ao topo da página