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Transição na igreja

Papa Bento 16 pede meditação a católicos para 'desenterrar Deus'

Porta-voz do Vaticano estimou em 50 mil pessoas o público que esteve na praça São Pedro

A maior parte do Angelus dominical foi dedicada às tentações que "Jesus superou na travessia do deserto"

DO ENVIADO A ROMA

A Igreja Católica iniciou ontem uma série de sete dias de meditação com o propósito assumido de "desenterrar Deus" ou, como preferiu o papa Bento 16 em sua fala no tradicional Angelus dominical, evitar que "Deus se torne irreal, não conte mais, desapareça".

As meditações foram encomendadas pelo papa (bem antes de anunciar a renúncia) ao cardeal Gianfranco Ravasi, responsável pela Cultura no Vaticano, "papabili" que é tido como um dos maiores especialistas em Bíblia do mundo.

Ravasi conta que iniciaria a meditação de domingo com uma citação de Etty Hillesum, jovem holandesa de origem judaica, morta no campo de concentração de Auschwitz, em 1943.

O papa citou Etty na sua homilia de quarta-feira, no que Ravasi diz ser uma extraordinária coincidência: "Nos encontramos com Etty Hilesum sem saber".

No seu diário, a jovem holandesa escreve: "Um poço muito profundo está em mim. E Deus está naquele poço. A cada vez que tento juntar-me a ele, mais a pedra e a areia o cobrem: agora, Deus está sepultado. É preciso de novo desenterrá-lo".

Não deve ter sido coincidência que, na mensagem do Angelus, o papa também tenha apontado um Deus oculto pelos que "o instrumentalizam para seus próprios fins, dando mais importância ao sucesso ou aos bens materiais". "Desse modo, Deus se torna secundário, se reduz a um meio, se torna definitivamente irreal."

Foi esse o fulcro do penúltimo Angelus de Bento 16 como papa e será esse o centro das meditações na capela Redemptoris Mater (Mãe Redentora), das quais participarão os cardeais que estiverem em Roma (eleitores ou não no conclave) e também Bento 16.

É natural supor que dessas palestras surgirão as linhas gerais do que o atual papa espera de seu sucessor, até porque Ravasi é homem de extrema confiança de Bento 16 e que concorda com o ponto de vista teológico deste, como se vê pela coincidência de ambos em citarem a ideia de um Deus enterrado e a necessidade urgente de desenterrá-lo.

Complicado, no entanto, é traduzir essa linguagem eclesial cifrada para uma plataforma concreta de gestão da igreja no próximo pontificado.

A única coisa que fica clara para leigos é que tanto o papa como o "papabili" Ravasi não querem que as tentações mundanas pelo poder e pelos bens materiais suplantem o divino, como sucessivos episódios dos últimos meses indicam estar acontecendo.

A maior parte do Angelus foi dedicada às tentações que "Jesus superou na travessia do deserto", os 40 dias que dariam origem posteriormente à tradição da Quaresma, iniciada quarta-feira.

Bento 16 voltará a aparecer em público mais duas vezes: no Angelus do domingo, dia 24, que coincide com o primeiro dia das eleições italianas, e na tradicional audiência das quartas-feiras, transferida de um salão do Vaticano para a Basílica de São Pedro, na expectativa de um comparecimento maciço de fiéis à despedida do papa, o primeiro que deixa o Vaticano por vontade própria desde 1294.

Ontem, no entanto, o público presente foi bem inferior à expectativa da Prefeitura de Roma, que previa 150 mil pessoas e tomou todas as providências de praxe para atender essa massa.

O padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, calculou em 50 mil os presentes, mas o número parece algo exagerado, porque couberam todos os fiéis na própria praça, sem extravasar para as ruas em torno.


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