São Paulo, Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2000


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ENTREVISTA
Ativista diz que oposição está crescendo

MARCELO STAROBINAS
da Redação

Elizardo Sánchez lidera o que o regime de Fidel tolera como oposição. O dissidente não pode organizar um partido, vive vigiado, mas tem a possibilidade de reunir-se com líderes estrangeiros que visitam Cuba.
Em entrevista à Folha, por telefone, de Havana, Sánchez disse que o aumento do número de presos de consciência está diretamente ligado ao aumento do número de militantes em atividade contra o governo.

Folha - Por que aumentou o número de presos políticos em Cuba?
Sánchez -
O que aumentou foi a oposição, o número de pessoas descontentes protestando por mudanças políticas.
Há 13 anos, havia menos de dez dissidentes militantes no país. Hoje são centenas.

Folha - A visita do papa estimulou a oposição interna?
Sánchez -
Uma das mensagens dele aos cubanos foi: "Não tenham medo". (neste momento, a ligação telefônica foi interrompida. Antes da conversa, fontes ligadas à oposição cubana advertiram que a linha estaria grampeada. A reportagem conseguiu retomar a entrevista 20 minutos depois.)

Folha - A linha telefônica da sua casa cai com frequência?
Sánchez -
Sim, sim (risos). Mas não vamos falar disso...

Folha - Como o sr. vem sendo tratado pelo governo?
Sánchez -
No total, já fiquei na prisão durante oito anos e meio. Mas o governo cansou de me prender. A última agressão contra minha casa foi em 94.

Folha - Isso é sinal de maior tolerância interna?
Sánchez -
Não. Estou atuando mais na área de direitos humanos. Não temos um plano político que diz que o governo deve ser derrubado.

Folha - Cuba continuará fechada por muito tempo?
Sánchez -
O modelo totalitário adotado nos anos 60 está em fase terminal, e deve acabar nos próximos cinco ou oito anos -pouco tempo em termos históricos. O ideal seria que Fidel fizesse reformas democráticas graduais, mas não está fazendo, o que pode ser perigoso a médio prazo.


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