São Paulo, quarta-feira, 25 de agosto de 2010

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Polarizada, Venezuela começa campanha legislativa

Em meio a violência e escândalos de corrupção, oposição a Chávez tenta voltar ao Parlamento após 5 anos

FLÁVIA MARREIRO
DE CARACAS

Começa hoje na Venezuela a campanha para as eleições legislativas de 26 de setembro nas quais a oposição a Hugo Chávez usará a recessão econômica, os índices de violência e um dos maiores escândalos de corrupção do governo esquerdista para tentar pelo menos abalar a supremacia chavista na Assembleia Nacional.
No mês que vem estarão em jogo as 165 cadeiras do Parlamento unicameral, dominadas pelos governistas desde 2005, quando os opositores de Chávez decidiram boicotar o pleito.
As pesquisas de opinião indicam que os eleitores venezuelanos querem uma assembleia multicor, e não a apenas "vermelha, vermelhinha" de agora, que aprovou faculdades extraordinárias para Chávez e mais de 150 leis para "avançar na transição ao socialismo".
Mas apesar da crise e do desejo de "pluralidade", por ora, a tarefa da oposição não parece nada fácil.
Chávez, segundo pesquisa Datanalisis de julho, tem 47% de aprovação e promove com caixa e meios de comunicação estatais o poderoso PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela).
Os opositores se uniram na chamada Mesa de Unidade (MUD), têm espaço também exclusivo nos jornais opositores e na oposicionista Globovisión, mas povoaram suas fileiras com muitos políticos da era pré-Chávez, de pouco apelo com os cruciais "ni-ni" (nem-nem), que não se definem como favoráveis ou contrários ao presidente, e com "governistas light", que, insatisfeitos, ainda preferem não declarar apoio.
Uma das exceções na MUD é Stalin González, 29, que ganhou projeção como líder estudantil nos protestos contra a não renovação da concessão do canal RCTV em 2007.
"Em 2008 conseguimos 30% dos votos e de lá para cá avançamos. Tenho certeza que ganharemos no voto nacional", diz.
De acordo com as pesquisas disponíveis, as forças fora do chavismo podem até ganhar a maioria do voto nacional, mas têm de crescer em 21 circuitos específicos neste mês se querem ameaçar a maioria governista.
O motivo é que os seis Estados em que a oposição ou é majoritária ou disputa cabeça a cabeça somam 52% do eleitorado. Essas áreas correspondem, no entanto, a 38% da Assembleia.
Além da MUD, concorrerão os dissidentes do chavismo do PPT (Pátria para Todos), que correrão por fora nas eleições legislativas oferecendo uma alternativa à polarização com uma proposta centro-esquerdista.


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