São Paulo, sexta-feira, 28 de março de 2008

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SUCESSÃO NOS EUA / O VOTO E A CRISE

Obama propõe regular economia

Senador alfineta rival Hillary ao vincular atual turbulência econômica a inépcia do governo Clinton

Candidato democrata quer mais controle de créditos de risco; ex-primeira-dama acusa-o de copiar sua idéia de pacote de US$ 30 bi

DA REDAÇÃO

O pré-candidato à Presidência dos EUA Barack Obama apresentou ontem propostas para a atual crise imobiliária nos EUA, cujos efeitos se alastram pelo sistema bancário.
As seis medidas apresentadas pelo democrata em discurso na Cooper Union, instituição de apoio à pesquisa, em Manhattan, têm como principal base uma maior regulamentação do mercado de crédito. Entre elas estão a expansão da supervisão sobre as instituições que tomam dinheiro emprestado do governo e a organização das agências encarregadas dessa regulamentação.
O democrata também sugeriu uma injeção de US$ 30 bilhões na economia para auxiliar as pessoas afetadas pela crise, mas as propostas de regulamentação, além de novas, têm embutidas uma crítica ao ex-presidente Bill Clinton (1993-2001) -logo à sua rival na disputa pela nomeação do Partido Democrata, Hillary Clinton.
A alfinetada em Hillary deve-se ao fato de Obama haver vinculado a atual crise a uma desregulamentação que teve lugar nos anos 90, sob Clinton. O senador por Illinois relacionou a falta de fiscalização, inclusive sobre o crédito imobiliário de alto risco, à influência de lobbys bancários ativos no governo Clinton.
Segundo Obama, o arcabouço regulatório foi desmontado "com o auxílio de uma barganha legal, mas corrupta, em que não raro o dinheiro da campanha determinou a política [econômica]".
A preocupação dos pré-candidatos em frear a crise imobiliária explica-se pelo fato de calotes nas prestações de casas próprias afetarem títulos lastreados nessas prestações e que estão em poder dos bancos. A conseqüência é a diminuição do capital dos bancos e, portanto, dos créditos em geral, o que leva a um desaquecimento da economia. O próprio George W. Bush sancionou um pacote de US$ 168 bi para aliviar a crise.
A campanha da senadora Hillary Clinton reagiu ao discurso de Obama, mas ateve-se à proposta do pacote de US$ 30 bilhões de estímulo. Segundo nota da equipe de Hillary, Obama a está copiando. De fato, Hillary propôs na semana passada a distribuição de US$ 30 bilhões para impedir a liquidação de hipotecas. O valor é o mesmo que o Fed (banco central dos EUA) usou para salvar, há duas semanas, o banco Bear Sterns.
A ex-primeira dama falou ela própria de economia ontem, propondo, na Carolina do Norte, o investimento de US$ 2,5 bilhões do governo na criação de um programa para a reciclagem de trabalhadores.
Já o republicano John McCain, que, segundo Obama e Hillary, não sabe como contornar a crise, afirmou haver "uma tendência dos liberais de buscar grandes programas de governo que sobrecarregam os contribuintes americanos e não resolvem os problemas reais que enfrentamos".
Para o candidato governista à sucessão de Bush, o refinanciamento das hipotecas deve ficar a cargo do setor privado.

Rejeição
Pesquisa do "Wall Street Journal" e da rede NBC divulgada ontem aponta novo recorde negativo para Hillary Clinton. Segundo o levantamento, a desaprovação à senadora subiu para 48%, sua pior marca desde março de 2001. Já Barack Obama tem 32% de desaprovação.


Com "Financial Times", "New York Times" e agências internacionais


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