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Opinião

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Crédito para a floresta

A queda fenomenal do desmatamento na Amazônia, de 27 mil km² (área maior que a de Sergipe), em 2004, para menos de 5.000 km², em 2012, teve muitas causas. Entre elas, parece ter sido particularmente eficaz o uso de instrumentos econômicos para induzir fazendeiros a preservar a mata.

Menos conflituosa que a fiscalização e a repressão, porém não menos efetiva, mostrou-se a restrição do crédito rural para propriedades em situação ambiental irregular. A comprovação está em um estudo do Núcleo de Avaliação de Políticas Climáticas da PUC-RJ.

O trabalho se debruça sobre os efeitos da resolução 3.545 do Banco Central, de 2008. Ela exigia de produtores, como precondição para obter crédito de bancos oficiais, documentação de que estavam em dia com exigências ambientais.

O trabalho concluiu que R$ 2,9 bilhões deixaram de ser emprestados à região, entre 2008 e 2011, por força da resolução. Como resultado, nos anos seguintes um total de 2.700 km² de desmatamento teria sido evitado, uma vez que os fazendeiros dispunham de menos capital para ampliar atividades.

Claro está que o aumento de produção também pode ser obtido com melhor produtividade, e não só com a abertura de novas áreas à custa da floresta. Mas não é essa a realidade na Amazônia, onde a posse de terras nuas ainda é o maior signo de riqueza.

O estudo também sugere que essa correlação entre crédito e desmatamento é mais forte no caso da pecuária do que no da agricultura.

Os dados indicam que a concessão de financiamento caiu mais, após a resolução, nos municípios em que predomina a criação de gado. Um indicativo de que pecuaristas tendem a usar o capital na compra de áreas e no desmate, para acumular mais pastos e cabeças.

A saída racional, assim, está na regularização ambiental das fazendas para obter crédito e investi-lo na melhoria da produtividade.

O instituto Imazon, do Pará, estima ser factível produzir 300 quilos de carne por hectare na Amazônia (a média hoje é de meros 80 quilos). Alcançar tal produtividade em um quarto das pastagens da região, até 2022, permitiria atender toda a demanda futura -sem derrubar uma só árvore.


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