São Paulo, Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2000


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OS LARES QUE FALTAM

O Brasil é um país com enorme dívida social, sabe-se. Mas esse passivo é igualmente muito pouco conhecido nas suas diversas manifestações, nos seus números e dimensões mais aproximados. Mais, alguns estudos vêm evidenciando gastos sociais do poder público mal direcionados. Certamente um dos fatores para essa falha é o conhecimento limitado da demanda por políticas sociais.
Pesquisas como a que realizou a Fundação Seade, o instituto de estudos socioeconômicos e de estatísticas do governo paulista, sobre o problema habitacional no Estado de São Paulo ajudam a iluminar a zona obscura que acaba por atravancar uma ação mais eficaz dos governos.
De acordo com o Seade, seria preciso construir cerca de 380 mil moradias no Estado para que as famílias que hoje dividem habitações com outras ou que moram em áreas de risco pudessem ter sua casa. O déficit de moradias não é algo impossível de lidar. A se manter o ritmo de construção de casas populares desta década, ele seria zerado antes de 2010.
Obviamente, com o passar do tempo, ao déficit medido pela fundação será acrescida mais demanda por moradias. Mas o crescimento populacional -migrações para o Estado e natalidade- já não pressiona tanto quanto no passado. Ou seja, trata-se de um problema administrável e cuja solução pode mesmo ser adiantada com um desejável crescimento do ritmo das construções.
Já os 30% de moradias paulistas consideradas inadequadas pela pesquisa -favelas, cortiços, domicílios com falta de infra-estrutura urbana ou em que o dispêndio com aluguel comprometa demais a renda- caracterizam um problema de muito mais complexa resolução.
De todo modo, esse e outros estudos mostram que o caminho para que a população pobre do Estado de São Paulo receba um tratamento minimamente digno por parte do poder público, embora longo, não é quimérico. Ele pode ser cruzado com planejamento e governos responsáveis.



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