São Paulo, Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2000


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De pilhagens

CLÓVIS ROSSI

São Paulo - Como se fosse apenas um observador neutro, o presidente Fernando Henrique Cardoso entrou na guerra verbal, subproduto da guerra fiscal entre os Estados brasileiros.
"Não é possível assistir à pilhagem de setores industriais sem reação", disse o presidente ontem, ao visitar a Couromoda, em frase logo interpretada como apoio à decisão do governador Mário Covas (SP) de cavar trincheiras (também fiscais) para proteger setores industriais paulistas.
É interessante ler a frase de FHC junto com reportagem que o "Jornal do Brasil" publicou ontem com Hélio Mattar, secretário de Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
Mattar, fiel a seu passado de empresário, atacou o que chama de onda de desnacionalização da economia brasileira. Diz que o processo de abertura da economia, que funcionou como instrumento crucial para o sucesso do programa de combate à inflação, foi feito de forma atabalhoada, do que resultou a desnacionalização.
Mattar lembra os vários setores que foram sendo transferidos para controle estrangeiro, de autopeças a têxteis, de bancos a supermercados.
É importante notar que o próprio FHC, há dois anos, considerou "precipitada" a abertura da economia promovida pelo seu antecessor Fernando Collor. Mas ficou, como agora, no caso da guerra fiscal, no papel de observador neutro, como se não tivesse responsabilidade nenhuma pela desnacionalização, que não foi outra coisa senão "a pilhagem de setores industriais" contra a qual o presidente agora se insurge, no âmbito interno.
Repito, pelas dúvidas: se nacionalismo é pecado, é um dos poucos pecados que não cometo. Estou apenas constatando fatos. E reproduzindo uma alta autoridade do próprio governo, caso de Mattar, para quem "a não-existência de uma política industrial é uma política industrial". Tem razão: foi nesse vácuo que se produziu a pilhagem que indigna o presidente.


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