São Paulo, quinta-feira, 27 de julho de 2006

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De novo

EM REUNIÃO com políticos e intelectuais realizada na semana passada em Pernambuco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou à cantilena entoada no auge da crise do mensalão. "Não pensem que o erro de cada um é individual ou partidário. O que acontece são os acúmulos de deformações que vêm da estrutura política do nosso país", pontificou o presidente.
Trata-se de uma variante da célebre afirmação segundo a qual o PT teria feito, do ponto de vista eleitoral, "o que é feito sistematicamente no país". A essa altura, o mínimo a esperar do candidato à reeleição seriam propostas objetivas para coibir a corrupção. Em vez disso, tem-se de novo a mesma e genérica insistência numa reforma política, vendida como emplastro capaz de curar todos os males.
É um equívoco supor que os escândalos de corrupção ocorridos nesta legislatura teriam sido evitados caso houvesse fidelidade partidária ou financiamento público de campanha. Como atestam os episódios do mensalão e dos sanguessugas, o loteamento político e indiscriminado das estatais e a permeabilidade de legisladores aos interesses de empresas privadas são as mais flagrantes "deformações" da estrutura política vigente. Mas não é a elas que se refere o presidente.
Em vez de acenar com a drástica redução dos cargos de livre provimento e criar condições para a profissionalização administrativa e controle público das estatais, a principal medida para o setor foi reforçar a barganha política: os Correios, por exemplo, foram entregues ao PMDB como forma de acomodar conveniências de aliança partidária.
É sintomático que o equívoco tenha sido cometido na mesma empresa onde se originaram as denúncias do mensalão. A corrupção não apenas nada ensinou ao governo como ainda encontra terreno fértil para prosperar.


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