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Perfis que atacam Aécio também agem contra Paes e Cabral

Documentos de processo sigiloso mostram que os sistemas que difamam tucano ligam peemedebistas do Rio a milícias

Postagens contra os três políticos eram feitas em páginas diferentes no mesmo minuto, mas de lugares distantes

ALEXANDRE ARAGÃO DANIELA LIMA DE SÃO PAULO

Uma ação que corre em sigilo no Tribunal de Justiça de São Paulo mostra que computadores e sistemas utilizados para produzir ataques em série ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) na internet foram usados com a mesma finalidade contra o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), e o ex-governador do Estado Sérgio Cabral (PMDB).

A Folha teve acesso à parte dos autos que detalha a ação de dois perfis que atuavam de maneira sistemática postando comentários em sites noticiosos de veículos de grande circulação.

As postagens contra os três políticos eram feitas em páginas diferentes no mesmo minuto, mas de lugares a quilômetros de distância um do outro. A operação sugere que havia o uso de robôs --mecanismos que fazem com que a mensagem seja reproduzida automaticamente várias vezes em diferentes endereços.

O objetivo desse tipo de ataque, cujo nome técnico é "spam de comentários", é fazer com que os sistemas de busca na internet, como o Google, associem automaticamente o nome dos políticos aos termos pejorativos utilizados pelos detratores.

Nos perfis há comentários relacionando Aécio, Cabral e Paes ao consumo de drogas. No caso dos dois políticos do Rio de Janeiro, há ainda acusações de que eles se relacionam com o crime organizado, milícias e bicheiros.

No caso de Aécio, que foi o autor do processo na Justiça que levou à descoberta desses dados, os perfis foram usados para promover em sites de busca uma notícia falsa que afirmava que o senador era réu em um processo por desvio de dinheiro da Saúde quando foi governador de Minas Gerais (2003-2010).

Na verdade, o Ministério Público questionou o fato de Aécio ter declarado como gasto em saúde dinheiro aplicado em saneamento básico. O processo foi arquivado.

Como o boato se espalhou pela rede com o auxílio dos perfis, Aécio abriu outro processo, dessa vez contra sites de busca, como o Google, para impedir que a combinação de 19 termos utilizados pelos detratores pudesse levar a essas publicações.

A ação do senador contra os sites de busca foi noticiada pela Folha em março. Ele perdeu na primeira instância, mas recorreu.

Agora, com a divulgação desse novo processo contra os dois perfis, sabe-se que Aécio move ao menos três ações para limpar seu nome na internet só na Justiça paulista, representado pelo escritório Opice Blum.

RIO E SÃO PAULO

Os dois perfis rastreados na ação sigilosa atuaram em diversos locais no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Entre os pontos de origem dos ataques estão um prédio da Eletrobras, um prédio da UFRJ, um cibercafé e prédios residenciais. O uso das instalações da Eletrobras na cadeia de ataques virtuais a Aécio foi noticiado pela revista "Veja" em abril.

O PSDB deve entrar com nova ação para quebrar o sigilo dos IPs e identificar seus usuários. O procedimento é similar ao adotado no caso divulgado no último domingo (25) pela Folha. A reportagem revelou que ataques na internet contra Aécio estavam partindo de um prédio da Prefeitura de Guarulhos. A servidora Nataly Galdino Diniz, citada no processo como uma das responsáveis por administrar as páginas "Aécio Boladasso", foi exonerada.


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