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Cachoeiragate

Banco atrasa envio de dados sobre governador

CPI determinou que o BRB remetesse informações em junho

Atraso retarda trabalho, afirma comando da comissão; controlado por Agnelo, banco quer responder até o dia 29

BRENO COSTA
FILIPE COUTINHO
DE BRASÍLIA

Dois meses após receber a determinação de ceder à CPI do Cachoeira os dados bancários do governador Agnelo Queiroz (PT-DF), o BRB (Banco de Brasília), controlado pela gestão do petista, ainda não entregou as informações.

A comissão investiga se Agnelo beneficiou em seu governo a empreiteira Delta -da qual o empresário Carlinhos Cachoeira era sócio oculto, segundo a Polícia Federal.

O pedido de quebra de sigilo -que revelará quem recebeu e depositou dinheiro na conta de Agnelo nos últimos dez anos- foi feito em 18 de junho, com um prazo de dez dias para a resposta.

Em 2 de julho, o BRB pediu outros 90 dias -prazo que não foi concedido, conforme a presidência da CPI. Diante do atraso, o comando da comissão enviou, no dia 6, um ofício à presidência do BRB cobrando celeridade.

"Essa renomada instituição financeira não tem dado a devida importância às informações relativas à transferência de sigilo bancário solicitadas por essa CPI", escreveu na carta o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da comissão, citando que a demora "tem promovido atraso no desenvolvimento de nossos trabalhos".

A carta foi endereçada ao diretor-presidente do BRB, Jacques de Oliveira Pena. Filiado ao PT, ele fora indicado ao cargo pelo próprio Agnelo. Antes, já havia sido secretário da Casa Civil e do Desenvolvimento Econômico, sempre no governo do petista.

O atraso é atípico. Outros bancos têm contribuído com a investigação parlamentar, mas essa é a primeira vez que a comissão formalizou uma reclamação devido à demora para a entrega dos dados.

O BRB diz que entregará as informações até 29 de agosto -o prazo para o relatório final da CPI é 23 de outubro.

LOBISTA

Segundo dados da Receita Federal enviados à CPI, Agnelo movimentou, só no ano passado, R$ 491 mil em contas do BRB, entre débitos e créditos. Essas informações fiscais não contêm a origem e o destino do montante.

Em uma conta do banco, Agnelo recebeu, em 2008, R$ 5.000 do lobista Daniel Tavares, que atuava para o laboratório farmacêutico União Química quando o hoje governador era um dos diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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