São Paulo, segunda-feira, 15 de agosto de 2011

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Foragido critica PF e diz que diálogos foram editados

Suspeito de fraude no Ministério do Turismo, Humberto Silva Gomes promete voltar de Miami na quarta-feira

Wladimir Silva Furtado, pastor que é suspeito de integrar o esquema, não descarta pedir ajuda de fiéis para pagar fiança

SILVIO NAVARRO
FELIPE LUCHETE
ENVIADOS AO AMAPÁ

Considerado foragido pela Polícia Federal, o empresário Humberto Silva Gomes prometeu ontem se apresentar na próxima quarta-feira para depor sobre seu suposto envolvimento em fraudes no Ministério do Turismo.
Jornalista, ele confirmou em seu blog que está em Miami (EUA) e atacou a ação da PF, chamando a Operação Voucher, que apura os desvios, de "Operação Circus".
Gomes reclamou do vazamento de informações do inquérito e disse que suas falas interceptadas com autorização judicial foram tiradas de contexto pelos policiais.
"Já fui julgado, sentenciado e condenado pela PêÉfE, com colaboração do noticioso nacional. Agora me basta voltar ao Brasil", escreveu.
"O que me incomodou durante toda a semana foi a Operação Circus. Polícia Federal cumpriu os mandados de prisão e conduziu os [presos] preventivos ao Amapá. Mas o que se viu depois disso foi a liberação (conta-gotas) de informações (gravações e depoimentos)."
O empresário reclamou da divulgação de um diálogo, noticiado anteontem pela Folha, em que orienta um interlocutor a inflar o valor de contratos com o governo.
Na conversa, ele diz: "Quando é dinheiro público, não pesa no seu bolso. Aí você joga pro alto mesmo, até porque se você não jogar você vai perder logo de cara, porque todo mundo vai jogar. Criou essa ideia aqui: "Ah, é pro governo, joga o valor pra três, tudo vezes três.'"
E acrescenta: "Superfaturamento sempre existe".
Ontem, ele disse que a fala foi distorcida. "Me preocupa uma instituição tão respeitada [a PF] se dar ao trabalho de editar uma conversa de quase uma hora e resumir em menos de um minuto. E mais, a imprensa nacional comprar como a verdade."
Ele confirmou ontem à reportagem, por e-mail, ser o autor do blog.

PASTOR
Também suspeito de integrar o esquema, Wladimir Silva Furtado, dono da cooperativa Conectur, afirmou ontem que vai recorrer a "umas cem pessoas" para pagar a fiança de R$ 109 mil que o liberou sexta-feira da prisão no Amapá.
Pastor evangélico, ele disse à Folha que não descarta pedir ajuda de fiéis da sua igreja. Os cultos da Assembleia de Deus são realizados na parte inferior de sua casa, em Macapá. Segundo ele, no piso superior está sediada a empresa Conectur.
Furtado negou relação com a deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP), autora da emenda que liberou verba a ONG suspeita no Amapá.
Nesta semana, o PSOL deve acionar o Conselho de Ética da Câmara contra ela.


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