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Ribeirão

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Gota d'água

Em dois bairros de Ribeirão, moradores têm falta de água crônica; tomam banho de caneca ou só na madrugada

CAMILA TURTELLI DE RIBEIRÃO PRETO

Moradores sem um pingo d'água em casa tomam banho de caneca, deixam de lavar a louça, penduram roupa lavada cheia de sabão ou só lavam durante a madrugada.

O problema existe há anos, mas só deve ser resolvido em julho do ano que vem, conforme anúncio feito na semana passada pela Prefeitura de Ribeirão Preto.

Enquanto isso, nos bairros Ipiranga e Jardim Paiva, os moradores seguem privados do abastecimento pleno.

Eles enfrentam problemas diários em tarefas que deveriam ser simples, como tomar banho de chuveiro.

Para especialista, a falta de fluxo contínuo de água tratada traz riscos à saúde.

Pode, por exemplo, afetar o estudante Yuri Leonardo Dias, 11, cujo banho de chuveiro é algo bem raro. O comum para ele é fazer a higiene pessoal com uma caneca e um balde d'água.

Yuri mora com a família no Jardim Paiva. Lá, a falta de água é um problema crônico. "Falta praticamente todos os dias", disse a avó dele, Maria Antônia Procópio, 60.

Para conviver com a "seca", ela mantém duas caixas d'água reservas no quintal, além de baldes espalhados pela casa. A aposentada ainda desenvolveu um sistema de armazenagem da água da chuva com uma lona. "Uso para lavar banheiro, cozinha, essas coisas."

Para ela, o maior problema é lavar roupa. "Vira e mexe, penduro roupa cheia de sabão para secar porque não há água suficiente para enxaguar." São os efeitos da seca.

Ela tem o hábito de solicitar ao Daerp (Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto) o abastecimento por caminhões-pipas e diz que normalmente é atendida.

Maria Antônia já realizou protestos no bairro por conta do problema.

A aposentada diz que paga em média R$ 50 de conta ao Daerp. "O talão, ao contrário da água, não falta."

SÓ NA MADRUGADA

No mesmo bairro, as três filhas do motorista Gevaldo Bezerra Oliveira, 36, também estão acostumadas a tomar banho apenas de caneca. Já ele acorda às 3h da madrugada para poder tomar banho de chuveiro e preparar o "esquema do quintal".

É lá que que a família mantém um barril de armazenamento de água, uma cadeira e a caneca para as três filhas se banharem.

No bairro Ipiranga, a falta de água também é um problema crônico. O proprietário de bar Laércio Souza, 52, convive com o problema há mais de três anos. "Todo dia acaba a água depois das 14h", ele relata.

Para contornar a situação, Souza reserva água em galões armazenados debaixo do balcão, que são usados para lavar os copos dos clientes.

"Eu nem ligo para reclamar da falta de água", disse Souza. "Tem algumas pessoas do bairro que sempre fazem isso e de nada adianta."

Nos dois bairros, Ipiranga e Jardim Paiva, onde o problema é constante, muitos moradores acordam de madrugada para realizarem tarefas. É nesse horário em que há água abastecendo a rede.

"Trabalho o dia todo, mas acordo às 2h da madrugada para tomar banho, colocar roupa para lavar e adiantar o preparo das refeições", disse a atendente de caixa Nani Maria Pereira, 50, que mora e trabalha no Jardim Paiva.

RISCOS À SAÚDE

A falta de fluxo contínuo de água tratada traz riscos à saúde, diz o médico da Sociedade Brasileira de Infectologia, Pedro Tauil. "O abastecimento continuo de água tratada é um direito da população", disse ele. "Não é possível viver sem isso."

Para o médico, uma das consequências mais graves para esses bairros, sem água fornecida regularmente pelo Daerp, é a criação de armazenamentos improvisados, que fazem proliferar o mosquito Aedes aegypti, que provoca a dengue. Além disso, há os riscos de contaminação.


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