São Paulo, sábado, 16 de janeiro de 2010

Texto Anterior | Próximo Texto | Índice

Ministério Público entra com ação civil contra médico de GO

Cirurgião que operou Faustão usa técnica não regulamentada por Conselho Federal de Medicina

IURI DE CASTRO TÔRRES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O Ministério Público Federal entrou com ação civil contra o médico Áureo Ludovico de Paula e contra o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás. Ludovico é citado por realizar cirurgias de redução de estômago com técnica não regulamentada para a cura do diabetes tipo 2. O procedimento, ao qual foi submetido o apresentador Fausto Silva, não é reconhecido pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) nem pela SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica). A procuradoria pede que a Justiça Federal reconheça a ilegalidade das cirurgias realizadas por Ludovico e a omissão do conselho "no cumprimento de sua missão institucional". O juiz Urbano Leal Berquó Neto estabeleceu o prazo de 72 horas, a partir de ontem, para que o médico e o conselho de Goiás se defendam. Ludovico disse à Folha que vai apresentar sua defesa no prazo. Até o fechamento desta edição, o CRM-GO ainda não havia sido notificado. Os promotores Léa Batista de Oliveira e Ailton Benedito de Souza pedem que a Justiça proíba a cirurgia, chamada gastrectomia vertical com interposição de íleo, a menos que integre protocolo de pesquisa -que precisa ser aprovado por um comitê de ética de instituição de saúde. Nesses casos, o procedimento não pode ser cobrado do paciente. Pela técnica cirúrgica, o íleo (fim do intestino delgado) é cortado e recolocado entre o duodeno e o jejuno, para que possa produzir GLP1 (hormônio que estimula a produção de insulina) ao entrar em contato com os alimentos. O Ministério Público também pede que o CRM-GO finalize os procedimentos abertos "em desfavor de Ludovico."

Outro lado
"Estou sendo injustiçado e muito mal-entendido", disse o médico. Segundo ele, a técnica usada não é experimental, pois "está descrita na literatura médica há muito tempo". O médico afirma também que a ação do Ministério Público inclui casos de pacientes que não se submeteram à cirurgia. De acordo com Ludovico, sua defesa vai mostrar que a técnica, realizada há sete anos, beneficiou mais de 700 pessoas.


Colaborou IARA BIDERMAN , colaboração para a Folha


Texto Anterior: Frase
Próximo Texto: Recall: EUA recolhem Tylenol e outros medicamentos
Índice


Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.