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09/12/2011 - 14h15

Banda ameaça parar show em SP por causa de barulho

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GABRIELLA MANCINI
DE SÃO PAULO

Nesta quinta-feira (8), no recém-reformado Cine Joia, em São Paulo, o filme exibido poderia ser chamado de "Os Reis do Silêncio".

Era, na verdade, o show da banda norueguesa Kings of Convenience, formada pelos vocalistas Eirik e Erlend.

Antes da apresentação, foram projetadas nas paredes do cinema algumas exigências do grupo, já conhecidas pelos fãs. "Por solicitação da banda, os bares estarão fechados durante o show." "Por solicitação da banda, não será permitido fotografar os primeiros 30 minutos do show." "A banda pede que a plateia mantenha silêncio durante o show."

Gabriella Mancini/Folhapress
Show da banda norueguesa Kings of Convenience
Show da banda norueguesa Kings of Convenience

O show começou com belas projeções nas paredes, que pareciam cubos em 3D saindo em direção à plateia lotada. Logo mais, os dois rapazes entraram no palco acompanhados apenas de seus violões. Foram recebidos com fortes aplausos, e a banda só começou quando mãos e vozes sossegaram por completo.

"O silêncio é o terceiro componente do Kings of Convenience", disse Eirik, que esperava da plateia o comportamento de quem está em um teatro ou ambiente intimista, diferente do Cine Joia.

A partir de então, o que se ouvia entre uma canção e outra eram pedidos de silêncio da própria plateia, preocupada em manter os músicos em cena. O show correu sob esse clima de tensão.

Até as palmas que acompanhavam as canções foram vetadas. "Quem quiser nos seguir pode estalar os dedos", avisou o duo. E, se a plateia aplaudia demais entre as canções, Erlend levava as mãos aos ouvidos.

Cantar era permitido? Ninguém sabia. Por via das dúvidas, o público cantarolou em baixo volume. "Qualquer ruído neste lugar é amplificado e o local está cheio de eco", justificou Eirik.

Mas era impossível silenciar por completo o local e a dupla ameaçou parar o show no meio. "Não entendo. Sei que muitos estão aqui para assistir ao show, mas alguns insistem em conversar. Há muito o que falar, mas vocês podem fazer isso imaginariamente", disse Erlend.

O ruído de que se queixou a banda eram burburinhos atrás do bar e tilintar de garrafas (a bebida continuou a ser vendida no segundo andar, apesar dos pedidos do grupo). Nada que incomodasse ouvidos menos aguçados.

No entanto, o show continuou e a dupla tocou seus maiores sucessos, como "I'd Rather Dance with You" e "Mrs. Cold ", composta num quarto de hotel em Curitiba, como contou a banda.

Depois, Erlend foi ao piano e pediu que a plateia cantasse as notas que tocava. Mas o público não acompanhou --talvez pelo clima tenso, talvez porque as notas não fossem fáceis de reproduzir. Erlend não gostou.

"Todos falam que o público brasileiro é um dos melhores do mundo. Onde estão vocês? Não sabem cantar nem estalar os dedos, não sabem fazer silêncio, estou decepcionado!", disse o artista.

O discurso fez alguns deixarem o local, irritados. Outros ensaiaram vaias. O sorriso de Eirik, achando graça na cena, mostrava que tudo não passava de encenação.

Por sua música suave e seus ouvidos sensíveis, o Kings of Convenience é como um João Gilberto da música indie internacional. A comparação ganhou força no bis, quando "Corcovado", de Tom Jobim, foi entoada por Eirik.

A dupla saiu do palco ovacionada. Além da alegria de uma apresentação musicalmente impecável, notava-se certo alívio na plateia.

Clique abaixo para conferir vídeo da canção "Corcovado", tocada por Kings of Convenience.

Vídeo
(Imagens: Gabriella Mancini/Folhapress)

 

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