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Onda natalina seduz desde cantores pop a bandas alternativas
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CAROL NOGUEIRA
DE SÃO PAULO
"Então é Natal, e o que você fez?/ O ano termina, e nasce outra vez/ Então é Natal, a festa cristã/ Do velho e do novo, do amor como um todo."
No Brasil não há neve, nem Papai Noel descendo pela chaminé, mas quem nunca se pegou cantarolando a música acima? Ou "Jingle Bells"? Ou "Noite Feliz"?
Gravada pela cantora baiana Simone, "Então É Natal" é o principal hit do disco "25 de Dezembro", lançado em 1995. Na época, vendeu mais de 1,5 milhão de cópias e, segundo a Universal Music, é campeão de vendas até hoje, embora a gravadora não possua dados atualizados. Mais importante: o álbum inaugurou um gênero até então inexistente no país.
"[No Natal], a gente não tem aquela coisa do frio, dos bonecos de neve, do Papai Noel todo encasacado, como nos Estados Unidos e na Europa. Aqui é verão, então não combina muito", diz Nando Machado, gerente de marketing internacional da gravadora EMI Music Brasil.
Neste ano, contudo, os discos natalinos internacionais estão com tudo no país. Em parte, por conta de dois CDs: "Under the Mistletoe", de Justin Bieber, e "Christmas", de Michael Bublé (ouça abaixo trechos de algumas faixas do disco).
Entre os cem álbuns mais vendidos na recém-inaugurada iTunes Store brasileira, ao menos seis deles são natalinos --além de Bublé e Bieber, há discos de Lady Gaga, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e Tony Bennett. Nos EUA, na lista dos mais vendidos, segundo a revista "Billboard", 25 álbuns são de Natal.
Mas não são só os discos natalinos que se dão bem nesta época. De acordo com as gravadoras brasileiras, as vendas de CDs no último trimestre, mesmo os que não têm nada a ver com Noel, representam até 30% do faturamento anual.
| Divulgação | ||
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| O cantor Michael Bublé, que lança o CD "Christmas" |
De modo geral, os artistas que mais fazem sucesso com músicas de Natal ou são tenores italianos, como Andrea Bocelli, ou "crooners", como Frank Sinatra e Tony Bennett.
Mas, com o mercado fonográfico em crise e a queda na venda de discos, até músicos de fora do mainstream vêm apostando na época festiva.
Entre os nomes alternativos, a dupla fofa She & Him --que tem a atriz Zooey Deschanel ("500 Dias Com Ela") nos vocais- esgotou em menos de um mês, segundo o selo Lab 344, um primeiro lote de mil cópias de seu "A Very She & Him Christmas".
Outro é Scott Weiland, da banda grunge Stone Temple Pilots, que deixou para lá os anos vivendo à sombra de seus vícios e encarnou o bom moço sorridente na capa do disco "The Most Wonderful Time of the Year", no qual canta músicas de Natal.
Estranho? Que nada. O álbum virou notícia em todos os jornais e revistas internacionais, e a empreitada ainda rendeu uma turnê pelos Estados Unidos --com todos os shows esgotados, é claro.
Não é para menos. O mercado natalino norte-americano é gigantesco. Texto da revista "Hollywood Reporter" do começo deste mês registrava que a audiência das rádios dos EUA duplica nesta época graças às músicas natalinas --algumas estações repetem a mesma música até seis vezes em um dia.
Aqui é difícil ouvir essas canções nas rádios (a não ser nas dos shoppings). Mas os discos de Natal vendem bem.
Segundo Rodrigo Ratto, diretor de vendas da Universal Music no país, os CDs que mais vendem no período são os que têm músicas natalinas tradicionais, mas de artistas internacionais, já que o mercado nacional oferece poucos lançamentos nesta categoria.
"O mercado brasileiro não aposta tanto quanto deveria em títulos sazonais, especialmente natalinos, por serem produtos considerados 'perecíveis'", explica Ratto. Segundo ele, as gravadoras temem que haja sobras de estoque, passado o período de festas.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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"BOOM"
Apesar de os artistas internacionais dominarem esses lançamentos, Simone pode ficar tranquila. Seu "25 de Dezembro", lançado há 16 anos, é até hoje campeão de vendas, de acordo com o diretor.
A concorrência neste Natal, porém, veio forte, com dois fortes competidores.
O primeiro deles, "Under the Mistletoe", do astro teen Justin Bieber, já vendeu cerca de 80 mil cópias no Brasil e mais de 2 milhões no mundo -1 milhão a mais do que esperava seu empresário.
O outro é Michael Bublé. "Christmas" ultrapassou 4 milhões de vendas mundiais e, no Brasil, integra a lista dos dez discos mais vendidos na iTunes Store -e esses números continuam crescendo (leia texto nesta página).
Para Nando Machado, diretor de marketing internacional da EMI, os discos de Natal têm outro significado nesta época: mais do que conter músicas natalinas, são edições especiais, "de luxo", para presentear.
É o caso da versão especial de "Nothing But the Beat", do DJ superstar David Guetta, que custa R$ 49,90, quase R$ 10 a mais do que a versão "normal". Em compensação, o freguês leva um "party mix" para ouvir durante a festa natalina e um encarte feito com papel "mais sofisticado".
Alguns artistas também apostam em discos natalinos como "mimos" para seus fãs.
A cantora Lady Gaga, por exemplo, aproveitou um especial de fim de ano que estrelou na televisão para gravar um EP ao vivo de quatro músicas ("A Very Gaga Holiday"), vendido com exclusividade no iTunes e que também figura na lista de mais procurados na loja virtual.
ESTREIA
O canadense Michael Bublé está acostumado a vender discos --muitos deles.
"Crazy Love", de 2009, vendeu mais de 9 milhões no mundo todo. Somando as vendas de seus cinco álbuns de estúdio, foram mais de 30 milhões de cópias vendidas.
Um dos poucos "crooners" pop dos dias atuais, era de esperar que Bublé lançasse um "Christmas" por ano.
Mas o álbum assim titulado que saiu neste mês no Brasil pela Warner é o primeiro em mais de 15 de carreira.
Por que agora?
"É algo com que eu sempre sonhei, desde criança, quando ouvia 'White Christmas', na voz de Bing Crosby", conta Bublé à Folha.
"Acho que todo mundo, não só os americanos, gosta do Natal. É a chance de se mostrar sentimental com aqueles que você ama, e quem não gosta disso?", diz.
Apesar de todo o sucesso do disco, o músico afirma que não tem planos de fazer turnê com o CD, ou gravar outro no ano que vem, já que entra em estúdio para começar a trabalhar em seu novo álbum.
No meio tempo, diz esperar que "as pessoas curtam o disco tanto quanto eu gostei de fazê-lo, e que o ouçam em suas casas enquanto passam tempo com suas famílias neste Natal".
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