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Lucas Santtana transforma fim do casamento em mote do novo CD
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MARCUS PRETO
DE SÃO PAULO
O casamento estava acabado. Na manhã em que Lucas Santtana deixou a casa em que vivia com a mulher, em maio de 2010, aconteceu uma das maiores tempestades da história do Rio de Janeiro.
Nos dias seguintes, a areia tomou as ruas, que ficaram intransitáveis. As escolas não abriram, ninguém trabalhou.
"Tinha gente filmando com celular os carros virados em cima do alambrado", diz. "Ficava essa sensação de ser uma coisa inevitável e avassaladora --mais do que querer ou não querer. E é determinante. Sai varrendo."
O caos --pessoal e coletivo-- daquele momento está impresso em canções do recém-gravado "O Deus que Devasta Mas Também Cura", quinto álbum do músico, que chega às lojas em março.
Para realizá-lo, Santtana, 42, que nasceu em Salvador, mas vive no Rio há duas décadas, contou com um time dos sonhos interestadual: músicos que representam o melhor da nova geração carioca, paulista, pernambucana e baiana (veja abaixo).
Na vida real, juntar todos esses músicos em um único disco custaria bem caro.
"Nossa geração tem esse corporativismo. Ninguém tem muita grana, então não cobram de mim o que cobrariam da Ivete [Sangalo]. Topam porque admiram o trabalho e querem participar."
Em discos anteriores, Santtana partiu sempre de uma ideia musical. Depois, criou canções que se adequassem a ela. Assim, "3 Sessions in a Greenhouse" (2006) nasceu do desejo de usar técnica de dub em música brasileira; "Sem Nostalgia" (2009), de trabalhar com voz e violão.
Mas, em "O Deus...", os temas --as letras-- se impuseram. E o processo de criação teve que ser invertido. Para ressaltar o caráter emotivo das canções, fez arranjos de cordas e usou samples de peças sinfônicas de Beethoven, Ravel e Debussy.
| Alexandre Rezende/Folhapress | ||
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| Lucas Santtana, que acaba de gravar "O Deus que Devasta Mas Também Cura" |
O fim do casamento, no entanto, não é o tema único do álbum. Santtana também fez de musas duas cidades.
Flertando de leve com o tecnobrega, "Ela É Belém" é fruto de "uma obsessão e de uma pesquisa", já que foi composta antes de o autor conhecer a capital paraense.
"Se Pá Ska SP" vem se juntar a "Não Existe Amor em SP", de Criolo, como sucessoras de "Sampa", clássico de Caetano Veloso inspirado pela cidade.
O refrão: "Mas eu disse sós, não disse sozinho/ A massa está carente em busca de carinho/ Quem é o amigo que vai te salvar?/ 5.000 torpedos sobre o céu irão cruzar".
"Em São Paulo, as pessoas não querem ficar sós nunca. Ligam e se encontram o tempo todo. É como se um salvasse a existência do outro", diz.
LÁ FORA
Enquanto Santtana mostra "O Deus que Devasta Mas Também Cura" ao Brasil, sua carreira internacional começa a decolar --mas com o CD anterior, "Sem Nostalgia".
O álbum foi eleito o melhor disco estrangeiro de 2011 pelo jornal francês "Libération" e alcançou a sexta posição na lista da "Le Inrockuptibles", a revista de música mais importante da França.
Nos Estados Unidos, "Sem Nostalgia" deve sair em abril, em edição especial, com faixas extras. No mesmo mês, ele faz uma turnê de dez shows na Europa e nos EUA.
Também sai no mercado americano um vinil com remixes de faixas mais antigas, criados por produtores como os americanos Deerhoof e Arto Lindsay, os britânicos Optimo e Paul White e o alemão Burnt Freidman.
A tempestade acabou.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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