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25/01/2012 - 22h11

Em retração, festivais de cinema temem falta de dinheiro em 2012

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MATHEUS MAGENTA
ENVIADO ESPECIAL A TIRADENTES (MG)

Por conta de dificuldades em firmar convênios com o governo e da ausência de editais importantes, realizadores de festivais de cinema do país temem que haverá menos recursos para esse tipo de evento em 2012.

Após realizar sua reunião anual na Mostra de Cinema de Tiradentes, o Fórum Nacional dos Organizadores de Festivais Audiovisuais Brasileiros divulgou uma carta nesta terça (24) em que cobra do Ministério da Cultura a "urgente" aprovação de um programa para fomentar a realização dos festivais.

Segundo o fórum, um decreto federal da presidente Dilma Rousseff, publicado em setembro passado após escândalos com ONGs em outros ministérios, dificultou os convênios com o ministério que financiavam parte dos festivais.

"Agora está muito mais difícil para as entidades organizadoras com as novas exigências. O decreto diz, por exemplo, que a parceria precisa ser realizada há cinco anos com o mesmo objeto. E, para eles, o festival de 2011 não é o mesmo objeto do festival de 2012", afirmou Francisco César Filho, presidente do fórum.

O fórum cobra a criação do Pronaf (Programa Nacional de Apoio aos Festivais), proposto como edital ao ministério no ano passado.

Em nota, a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura diz que "está trabalhando na perspectiva de poder incluir as contribuições e sugestões do fórum, dentro do possível, nos chamamentos públicos que serão realizados, tendo em vista as novas regras para convênio".

Pela primeira vez, segundo estimativa do fórum, o número de festivais diminuiu de um ano para a outro (foram realizados 265 em 2010 e 239 em 2011).

"O número de festivais não foi reduzido por falta de recursos. A Secretaria do Audiovisual gostaria de apoiar diversos festivais, mas o decreto presidencial foi necessário para regularizar os convênios", afirmou a secretaria, em nota.

PETROBRAS

Realizadores de festivais dizem que essa não é a única dificuldade vivida pelo setor, que depende principalmente de recursos públicos. O edital anual da Petrobras para fomentar, entre outras coisas, os festivais de cinema do país ainda não foi lançado.

Na última seleção, a empresa distribuiu R$ 3 milhões para festivais de cinema realizados entre junho de 2011 e maio de 2012. Com o adiamento do edital seguinte, surgiu uma lacuna para os projetos até 2013.

Em nota, a estatal informou que a seleção pública do programa Petrobras Cultural 2012 está pronta e será lançada "em breve" para contemplar projetos que ocorrerão em 2013.

"Os projetos que acontecem nos primeiros meses do ano serão analisados caso a caso (como foi o caso do Festival de Tiradentes, que foi patrocinado normalmente e já são 12 anos de patrocínio)", informou a nota.

Para João Pedro Fleck, um dos realizadores do Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre, os produtores culturais precisam ficar antenados a outras formas de captar recursos.

"A falta do edital da Petrobras, por exemplo, dificulta bastante, mas vai do produtor cultural ficar antenado com os editais que vão sendo abertos, como do Banco do Brasil, da Oi, do BNDES... O problema é que o pessoal se limita muito com a Petrobras, que é o que dá o maior montante", afirmou.

O repórter viajou a convite da organização do festival.

 

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