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Brasileira ganha fama com terror de Hollywood
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ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
DE SÃO PAULO
Até pouco tempo, era mais ou menos assim: garota bonita sonha com a fama, garota bonita chega para o teste, garota bonita se apresenta.
"Oi, eu sou a Fernanda."
"Fernanda quem?"
Esse anonimato já era. Em janeiro, o nome de Fernanda Andrade, 27, virou assunto nos estúdios de Hollywood. E, para a atriz nativa de São José dos Campos (SP), esse sucesso todo veio no susto.
No susto mesmo: ela estrela "Filha do Mal", falso documentário cheio de tensão, à moda de "A Bruxa de Blair" e "Atividade Paranormal".
| Divulgação | ||
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| Fernanda Andrade interpreta Isabella Rossi em "A Filha do Mal", de William Brent Bell |
O orçamento da produção independente, US$ 1 milhão, nem sequer faz cócegas nos grandalhões hollywoodianos. Mas, no primeiro fim de semana, há um mês, "Filha do Mal" arrecadou 33 vezes o seu custo nas bilheterias americanas --e hoje já acumula US$ 53 milhões.
"Foi uma coisa tão inesperada e grande", diz Andrade à Folha, por telefone, dos EUA, animada como uma menina que se descobre, de repente, a popular da classe.
O tratamento já é de superstar: a Paramount (que distribui o filme) impôs rígidos dez minutos de conversa e selecionou os veículos da mídia para entrevistar a atriz.
MADE IN BRAZIL
Fernanda é uma vegetariana recém-convertida, de riso fácil, torcedora do Guarani e do Santos (nessa ordem).
Quando ela tinha 11 anos, sua família se mudou de Campinas para Miami. Hoje, a atriz mora em Los Angeles.
Na caça por papéis, o estereótipo latino levou a melhor: foi Marisol no curta "La Americanita", Sofia Chavez ("The Mentalist")... Aos 19, fez uma cubana assassinada em "CSI: Miami". "Para alegria do meu pai, não me mataram mais."
Em "Filha do Mal", é Isabella Rossi, que vai a Roma tentar desvendar crimes cometidos por sua mãe 20 anos antes, durante um exorcismo Ela foi chamada após dois testes pelo diretor, que aconselhou "O Exorcismo de Emily Rose" para entrar no espírito.
O bom desempenho não teve eco entre críticos nos EUA. O "New York Times" o incluiu num "subgênero tediosamente esgotado". Para a "Rolling Stone", o filme "não só raspa o fundo do tacho, mas faz um furo nele e se aprofunda na escória".
Fernanda aprova essa "polarização". "Teve gente que achou uma porcaria. Para outros, é um clássico de horror."
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