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26/08/2012 - 06h08

Crítica: Com bons diálogos e atores entrosados, "(fdp)" marca um belo gol

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SANDRO MACEDO
DE SÃO PAULO

Para apitar a final de uma Copa do Mundo, o juiz precisa necessariamente que seu país esteja eliminado. Ou seja, até para realizar seu maior desejo profissional, o árbitro está só. Não conta com o apoio de ninguém. Talvez, nem o da própria mãe.

Série '(fdp)' estreia para cumprir cota no canal HBO

E esse é o sonho do árbitro Juarez Gomes da Silva (Eucir de Souza), protagonista da série brasileira "(fdp)", que estreia na HBO no país e no restante da América Latina, mesclando comédia com uma pitada de drama.

Curiosamente, o juiz é o único profissional em campo que desperta sempre a mesma reação, sem exceção. O atacante distraído pode ser herói, o ótimo goleiro pode ter um lance de vilão, o jogador apagado pode decidir a partida, mas o juiz, bem ou mal, será xingado na entrada e na saída (o nome abreviado da série é só uma de suas alcunhas afetivas).

Em 13 episódios, acompanhamos a jornada desse anti-herói, profissional correto e pouco político, que equilibra o cotidiano entre as mazelas da profissão que escolheu e a recém-conturbada vida pessoal: acabou de se separar da mulher após cometer um deslize (a traiu), tipo de falta que não pode cometer durante o exercício de seu sofrido ofício.

A escolha de um árbitro é original em produções esportivas, normalmente atreladas a craques rebeldes, ídolos do passado, técnicos ou dirigentes. O argumento de Adriano Civita (um dos quatro diretores, ao lado de Caíto Ortiz, Kátia Lund e Johnny Araújo) é desenvolvido pelos roteiristas José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta.

Logo no primeiro episódio, "Juiz x Juiz", o árbitro Juarez luta no tribunal com a mulher, Manu (Cynthia Falabella), pela guarda do filho pré-adolescente. O juiz do caso é, coincidentemente, cartola do time que disputará a final do Paulista na semana seguinte, com arbitragem de Juarez. Obviamente, a condução do jogo em campo pode afetar a decisão no tribunal.

Ao lado do divertido Romeu Carvalhosa (Paulo Tiefenthaler), bandeirinha, amigo de cerveja e péssimo conselheiro sentimental, ele tenta entrar para o quadro internacional e ser alçado a juiz da Libertadores, principal competição do continente.

Civita e sua equipe driblam bem a principal dificuldade das produções esportivas, seja no cinema ou na TV: filmar a ação do jogo. As jogadas, que normalmente parecem muito inverossímeis, são bem executadas. Nesse sentido, ajuda o fato de o principal interesse não ser o lance em si, mas as reações de Juarez, espectador mais perto de qualquer jogada.

As figuras representativas do universo do futebol também estão espalhadas pela série: tem a bandeirinha sexy que vira capa de revista masculina, o apresentador de TV que vende três produtos a cada dois comentários, o experiente cronista que não está nem aí, a maria chuteira e... a mãe do juiz.

"(fdp)" conta ainda com várias participações especiais de pessoas renomadas do mundo da bola, em pontas descaracterizadas. O jornalista Juca Kfouri vira jornaleiro; Rivellino ataca de padre; Dentinho vira repórter e Neymar interpreta o menino do filtro.

Com bons diálogos e atores entrosados, "(fdp)" marca um belo gol e aguarda o sinal verde para entrar numa nova temporada. Certo mesmo na primeira temporada é apenas o final dos 13 episódios, que termina sempre com Juarez chamado de "fdp".

NA TV
(fdp)
Estreia da série
QUANDO neste domingo (26), às 20h30, na HBO
CLASSIFICAÇÃO 16 anos
AVALIAÇÃO bom

 

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