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Em paralelo à Bienal de SP, Inhotim abre dois novos pavilhões
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SILAS MARTÍ
ENVIADO ESPECIAL A BRUMADINHO (MG)
Do lado de dentro, fios dourados se dissolvem na escuridão e ressurgem em lampejos pontuais sob os focos de luz. Do lado de fora, o prédio construído para essa obra parece se contorcer na mesma frequência, uma arquitetura que vira pele para a instalação "Tteia" de Lygia Pape, artista morta há oito anos.
Mata adentro no Instituto Inhotim, o megacentro de arte contemporânea nos arredores de Belo Horizonte, um novo pavilhão envidraçado abriga as obras mais importantes de Tunga, um espaço todo aberto que também se molda a partir do entorno.
Em paralelo à Bienal de São Paulo, que fez o "jet set" da arte se instalar no Brasil nesta semana, Inhotim inaugura hoje espaços com obras de Tunga e Pape, um complemento às outras 20 instalações e galerias erguidos sobre a terra vermelha do interior.
Além desses novos pavilhões, o museu abre uma instalação da artista espanhola Cristina Iglesias, espécie de labirinto vegetal construído na clareira de um bosque, engrossando a constelação de artistas do museu mineiro.
| Pedro Motta/Divulgação | ||
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| Obra de Tunga que está no pavilhão do artista no museu |
Cildo Meireles, Adriana Varejão, Chris Burden, Matthew Barney, Janet Cardiff e Hélio Oiticica são alguns dos astros da arte contemporânea que já têm sua obra exibida em caráter permanente em arquiteturas ambiciosas na mata.
"Inhotim hoje ocupa um papel no cenário brasileiro, que é poder ter obras desses artistas em grandes dimensões", diz Jochen Volz, um dos curadores do museu. "Em nenhum lugar no país você pode ver obras dessa escala."
De fato, são escalas e cifras hiperbólicas --um acervo avaliado em cerca de R$ 400 milhões espalhado por uma densa floresta do tamanho de cem campos de futebol.
LABIRINTO VEGETAL
Toda essa exuberância também entra nas obras. "Esse espaço é arrebatador", diz Cristina Iglesias. "Tentei transformar a vastidão desse lugar num labirinto de sonhos, uma metáfora que vai muito além da arquitetura."
Tunga também fez questão de que seu pavilhão tivesse amplas vistas para a mata circundante. "Queria integrar esse cinturão verde às obras", diz o artista. "São trabalhos concebidos há muito tempo que se atualizam nesse pavilhão de maneira peculiar."
Peculiar ou não, a galeria faz um recorte amplo de obras dos anos 80 até hoje, tendo ao centro a projeção de "Ão", filme de 1980 que Tunga considera um "acelerador de partículas" por "potencializar" as outras peças.
Entre elas, está a obra que o artista mostrou no Louvre, em Paris, um esqueleto enorme deitado numa rede.
No caso de Lygia Pape, o efeito é outro. Em vez de uma retrospectiva, a artista tem uma única --e icônica-- obra em seu pavilhão, uma peça que marca a transição de suas pesquisas geométricas em desenhos para trabalhos mais monumentais.
Depois de montada na Bienal de Veneza há três anos e exibida na retrospectiva organizada pelo museu Reina Sofía, de Madri, a instalação de fios dourados ganha em Inhotim arquitetura própria, que se adapta às suas formas.
"É um lugar quase sagrado", descreve a arquiteta Maria Paz, do Rizoma, escritório que assina os pavilhões de Pape e Tunga. "Queríamos que fosse quase um templo."
O jornalista SILAS MARTÍ viajou a convite do Instituto Inhotim
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