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MoMA intensifica relação com Brasil em mostra e livro
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SILAS MARTÍ
ENVIADO ESPECIAL AO RIO
Olhando a paisagem do píer Mauá, Jay Levenson avista o mosteiro de São Bento e reconhece outros pontos da geografia do Rio. Ele parece à vontade, íntimo da cidade.
Não é a primeira vez que o diretor de projetos internacionais do MoMA (Museu de Arte Moderna), de Nova York, vem ao país. Veio três vezes só nos últimos meses.
Levenson foi à Bienal de São Paulo, ao Instituto Inhotim, nos arredores de Belo Horizonte, arranjou tempo para ir a Porto Alegre ver mostras de Waltercio Caldas e Miguel Rio Branco e fechou sua viagem anteontem com uma visita à feira ArtRio.
"Nos sentimos próximos do Brasil, parece que a distância evaporou", diz Levenson à Folha, na zona portuária do Rio. "Temos 600 artistas brasileiros na nossa coleção. É enorme o número de visitantes do país que vai ao museu em Nova York."
Ele lembra, aliás, que a relação do MoMA com o Brasil remonta a 1939, quando o museu comprou uma pintura de Candido Portinari. Desde então, o contato se adensa e deve ganhar ainda mais força nos próximos anos.
| Carlos Cecconello/Folhapress | ||
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| Jay Levenson, diretor de projetos internacionais do MoMA |
Em 2014, Lygia Clark terá uma retrospectiva no museu e será lançada uma primeira edição em inglês dos textos do crítico Mário Pedrosa, um dos maiores pensadores da arte brasileira, que morreu, em 1981, com 81 anos.
"Esse livro vai causar surpresa", diz Levenson. "São textos que mostram como Mário Pedrosa estava muito à frente de seu tempo."
Paulo Herkenhoff, que trabalhou no MoMA e agora está editando o livro ao lado da crítica Glória Ferreira, vê Pedrosa como um fundador do pensamento sobre a arte realizada no país.
"Ele oferece o solo mais profundo em que nossa arte é debatida", diz Herkenhoff. "A crítica se divide entre antes e depois de Pedrosa."
Na visão de Levenson, é uma feliz coincidência que o volume com os escritos de Pedrosa, um dos maiores teóricos do concretismo e neoconcretismo, venha a público no mesmo momento em que o MoMA terá em cartaz a retrospectiva de Lygia Clark, um dos objetos de estudo do crítico.
O diálogo entre teoria e obra, aliás, fica mais potente no MoMA, que exibe abstrações geométricas de latino-americanos ao lado de artistas que influenciaram o movimento, como o suíço Max Bill e o holandês Piet Mondrian.
"Gerações antigas de historiadores nos Estados Unidos sempre viam obras de outros países ou regiões à luz de movimentos europeus, achando que tudo derivava dali", diz Levenson.
"Mas agora há um entendimento melhor de outros contextos históricos e culturais, em que movimentos análogos tiveram objetivos e manifestações diferentes."
É nesse ponto que Levenson enxerga também uma diferença entre a atitude do MoMA e outros grandes museus do mundo, que também decidiram centrar o foco na América Latina.
Na visão do diretor, a longa relação do museu com a região é o que viabilizou a construção de uma coleção exemplar de obras latino-americanas, com modernos e contemporâneos.
"Não viemos para a América Latina sem preparo e conhecimento", diz Levenson. "Nosso desafio é olhar para cá do ponto de vista da coleção, de quem tem uma história com o lugar."
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