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12/01/2013 - 05h27

Em datas de cronistas, só Braga é lembrado

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MARCO AURÉLIO CANÔNICO
DO RIO
MARCO RODRIGO ALMEIDA
DE SÃO PAULO

A crônica brasileira está em festa neste fim de semana, mas justamente o mais folião dos aniversariantes foi excluído das comemorações.

Rubem Braga faria 100 anos neste sábado (12). Sérgio Porto, conhecido pelo pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, teria completado 90 na última sexta-feira (11). São dois dos maiores nomes da crônica nacional, mas suas efemérides ganham tratamentos bem diferentes.

Braga, homem ensimesmado e quieto, é tema de exposição e inúmeros livros. Enquanto para o extrovertido e falante Porto, até o fechamento desta edição, nada havia sido preparado ou anunciado para celebrar a data de ontem.

A trajetória dos dois cronistas tem muitos pontos em comum. Apresentados pelo jornalista Lúcio Rangel (1914-1979), tio de Porto e amigo de Braga, a dupla desenvolveu uma amizade a partir de algumas semelhanças: homens de imprensa, gostavam da boemia, dos bares e da companhia de mulheres bonitas.

Divulgação
O escritor Rubem Braga, que completaria 100 anos neste sábado, em uma das imagens que faria parte de exposição em Vitória
O escritor Rubem Braga, que completaria 100 anos neste sábado, em uma das imagens que faria parte de exposição em Vitória

Tinham a mesma turma de amigos --gente como Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Millôr Fernandes--, que se reunia na mítica cobertura de Braga, em Ipanema, em noitadas regadas a uísque e conversa.

Trabalharam juntos no breve semanário antigetulista "Comício" (1952), que tinha Braga como um de seus diretores --foi lá que Porto começou a talhar seu texto humorístico, na coluna "A Semana da Cidade".

Foi o carioca Porto quem deu ao capixaba, mas também carioca por afeição, o apelido de "sabiá da crônica", do qual ele não gostava. "Prefiro ser um urubu, ave maior e mais triste", dizia Braga.

Divulgação
Sérgio Porto carrega livros de jazz, uma de suas paixões
Sérgio Porto carrega livros de jazz, uma de suas paixões

Foi ele quem teve participação direta na disseminação do pseudônimo do amigo: Stanislaw Ponte Preta.

As editoras dirigidas por Braga (e por Fernando Sabino), a Sabiá e a Editora do Autor, publicaram as coletâneas de crônicas de Ponte Preta, como os três volumes do célebre "Febeapá (Festival de Besteira que Assola o País)".

Reconhecido por trabalhar exaustivamente em jornais, rádio, TV, cinema e teatro, Sérgio Porto morreu de infarto em 1968, aos 45 anos.

Deixou uma obra literária bem menos vasta e influente do que a de Braga, morto em 1990, aos 77 anos, após 62 anos de jornalismo e mais de 15 mil crônicas escritas.

HOMENAGENS

Angela, uma das três filhas de Porto, diz que a família vai renegociar neste ano a publicação de seus textos, cuja edição mais recente foi pela Agir.

"Tem coisas que a gente tinha previsto e que não aconteceram, como a versão fac-similar de 'A Carapuça', que é um jornal que ele fez e que teve nove edições", diz.

As homenagens a Braga começam em seu Estado natal. Vitória (Espírito Santo) inaugura para o público no dia 29 a exposição "Rubem Braga - O Fazendeiro do Ar", que reúne textos, correspondências, fotografias, objetos e publicações.

A mostra é dividida em módulos temáticos que perpassam a trajetória de vida e obra do cronista. "Vai ser muito interativa, muito lúdica. Nosso foco são os estudantes, a formação de leitores", conta o curador e jornalista Joaquim Ferreira dos Santos.

O módulo sobre o jornalismo vai reproduzir as salas de Redações dos anos 1940 e 1950, mas terá iPads acoplados às antigas máquinas de escrever para que o público leia textos de Braga.

No espaço Guerra, dedicado à atuação do cronista como correspondente do "Diário Carioca" na Itália, em 1944, será possível ouvir músicas, jingles e notícias da época do conflito.

Depois de Vitória, a exposição deve seguir para São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife. Datas e locais ainda não foram definidos.

Editoria de Arte/Folhapress

Braga também vai movimentar o mercado editorial nos próximos meses.

Pela editora Global, o pesquisador André Seffrin vai lançar "A Poesia É Necessária", que reproduz a coluna semanal homônima que Braga manteve na revista "Manchete" (de 1953 a 1956) e "Revista Nacional" (de 1976 a 1990).

Nessas páginas, ele publicou poetas de diversas épocas e tendências. Seffrin selecionou cerca de 160 deles, como Mário de Andrade, Jorge de Lima e Murilo Mendes.

Vários poemas trazem comentários de Braga. "Ele nunca exerceu a crítica literária. Prepondera sempre a visão do cronista, por vezes lírico e não poucas vezes irônico", diz Seffrin.

 

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