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Músicos rebatem crítica de produtor americano ao 'inglês brasileiro'
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LUCAS NOBILE
DE SÃO PAULO
TRAJANO PONTES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Fãs brasileiros e bandas do país vestiram o "verde e amarelo" e rebateram as declarações feitas pelo produtor americano Jack Endino em sua página no Facebook.
Na quarta, o produtor, que recebera uma gravação da banda paraibana The Noyzy, escreveu: "Bandas brasileiras, por que vocês cantam em inglês? Nunca consigo entender uma palavra".
No mesmo post, que recebeu cerca de 2.500 comentários, Endino poupou apenas o Sepultura, que, segundo ele, obteve sucesso por ter "inglês excelente, boas letras e serem representados por um selo internacional de metal".
"Scorpions é uma banda alemã que fez muito sucesso cantando em inglês, assim como o Loudness, que é do Japão. É tradição: o inglês é a língua do rock", diz Andreas Kisser, do Sepultura.
Quem também comentou as declarações do produtor foi Paulo Xisto, baixista do Sepultura. "Se essa é a opinião dele, paciência. Terão outros que gostam, gostaram ou gostarão de ver bandas brasileiras em inglês."
Após a polêmica, Endino, que trabalhou com o Nirvana e com bandas brasileiras, como os Titãs, desculpou-se, dizendo que havia "mexido em um vespeiro" e que respeitava a música brasileira.
O BRASIL EM INGLÊS
| Editoria de Arte/Folhapress |
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Desde a década de 1930, o Brasil conquista espaço no exterior com artistas cantando em inglês. Carmen Miranda, mesmo tendo origem portuguesa, obteve sucesso cantando não apenas em seu idioma nativo.
Nos anos 1960, standards da bossa nova ganharam projeção nos Estados Unidos com diversas versões. A mais conhecida de todas foi feita por Tom Jobim, com antológica gravação de "The Girl from Ipanema" ("Garota de Ipanema") ao lado de Frank Sinatra, que tinha versos em inglês e em português.
"Tom Jobim verteu todo o seu repertório visando ao mercado internacional. Todos têm o direito de tentar se expressar em inglês --o esperanto dos tempos modernos-- ao visar a uma carreira internacional", diz Andre Matos, ex-vocalista do Angra e do Shaman.
Na década de 1970, Caetano Veloso conseguiu repercussão positiva com "Transa", em que boa parte das letras são cantadas em inglês. Nos anos 2000, "A Foreign Sound", em que ele interpretou sucessos estrangeiros, dividiu opiniões nos EUA.
Além dos metaleiros, principais representantes do sucesso brasileiro em inglês no exterior atualmente, bandas de indie daqui também se destacaram lá fora, como CSS (Cansei de Ser Sexy), Holger e Black Drawing Chalks.
"O que importa é a qualidade do que está sendo feito; se for ruim, será ruim em qualquer idioma; se for bom, ultrapassa qualquer barreira de língua", diz Rodrigo Gorky, do Bonde do Rolê.
"Ele deve estar um pouco por fora do que se produz por aqui. Deve ter parado no Nando Reis [artista produzido por Endino]. Nós tocamos em festivais fora. Isso não aconteceria se não cantássemos em inglês", defende Edimar Filho, do Black Drawing Chalks.
Procurado pela reportagem da Folha, Endino não retornou os contatos.
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